Crise de Agosto
Fiquei impressionado com a recriação histórica e a costura que o autor faz dos eventos ocorridos no turbulento agosto de 1954. Desde a tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, forte opositor de Getúlio, a investigação para descobrir os mandantes, até o suicídio do presidente. Tem muitos detalhes sobre a situação política do país, com o toma lá dá cá e a corrupção sempre presente na história. Gostei do fato de ter vários pontos de vista, mostrando um grande leque de opiniões(geralmente conflitantes) sobre aqueles acontecimentos. Como ficção histórica é bastante imersivo. Tudo isso misturado com uma narrativa policial que, apesar de eu não ter gostado tanto pela forma dispersa que ela é desenvolvida, reconheço que ela teve um bom desfecho e se conectou bem com a narrativa principal. Gostei do detetive Mattos, ele é um estranho no ninho no trabalho justamente pela inversão de valores, por ser um policial honesto. “Aqueles que se consideram homens de bem nem sempre são bons policiais.” A história pessoal dele, uma espécie de triângulo amoroso nada convencional, é a subtrama mais interessante do livro. Tem uns momentos de humor sombrio inseridos que funcionam bem para quebrar a tensão. Me pegaram desprevenido quando aconteciam. Saio dessa leitura satisfeito. É um período muito interessante da história do Brasil. Recomendo.








