Adaptação da famosa história da princesa órfã, perseguida por uma madrasta vaidosa que, eclipsada pela beleza da enteada se esforça por tirar-lhe a vida. Após inúmeras versões para o teatro, o cinema e os quadrinhos, as peripécias da célebre jovem protegida por sete anões e salva pelo amor de um belo príncipe ressurgem neste álbum ilustrado por Quentin Gréban.
Branca de neve
Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Outro dia acordei com saudades da Branca de Neve. Pois é, até eu me surpreendi, mas aconteceu. Durante a infância minha tia me deu um daqueles livros "com os melhores contos de fadas" e entre esses contos existia, claro, o da menina branca como a neve, de cabelos negros como o ébano e lábios vermelhos como uma gota de sangue. Apesar das histórias de princesas não serem minhas preferidas, elas não vivem muitas aventuras, e terminam casadas, a ideia de fugir da morte se embrenhando em um território desconhecido, encontrar uma casa segura dentro desse lugar perigoso e viver com amigos gentis tendo uma floresta como quintal tem certo encantamento. Entre a vida com uma madrasta cruel e um casamento com um completo desconhecido, existiu para Branca de Neve uma vida com amigos e uma floresta como quintal. Cheia de nostálgico peguei a versão adaptada por Laurence Bourguignon com ilustrações de Quentin Greban. Em linhas gerais é uma adaptação bem fiel ao texto original dos Grimms, mas o ponto alto do livro é o trabalho do Greban. As ilustrações são belíssimas, tomam páginas inteiras, proporcionam um mergulho dentro da história e causam aquele encantamento tipico da leitura de livros infantis. No mais, a história da Branca fala de como uma mulher invejosa trama o assassinato da filha de seu marido de diversas formas, contratando um caçador, envenenando um cordão de fios de sena, um pente e até uma maça. Conta como uma uma jovem foge da inveja com a ajuda da generosidade um caçador e sete anões trabalhadores que lhe poupam a vida ou lhes fornecem abrigo em troca da colaboração com serviços domésticos. É sobre pessoas capazes de burlar a morte através de observação, persistência e sorte. Por três vezes a madrasta consegue envenenar a menina, nas duas primeiras ela usa fios de seda e um pente, ambos são tirados pelos anões. A maça é apenas o terceiro artifício e esse é vencido pela sorte, pois quando o Príncipe encontra Branca de Neve adormecida em um caixão de cristal, se encanta com ela e decide leva-la ao seu castelo, no caminho alguém tropeça e a maça presa na garganta dela é colocada para fora. Também é uma história sobre castigos duros e recompensas duvidosas. De um lado a Rainha é punida com sapatos de ferro em brasa que fazem ela dançar até a morte e Branca de Neve casa com um desconhecido cuja a unica recomendação é pertencer a alguma família real cujo titulo está inclusive abaixo do dela, sendo unica herdeira do trono com a morte do seu pai ela seria Rainha. Em versões mais antigas que a dos irmãos Grimms nas quais a maldade e a inveja vem da mãe da menina e versões mais atuais nas quais todas as partes dessa história são reviradas pelo avesso e tudo é questionado, reavaliado e reescrito. Porém essas são outras histórias e tema para outros posts. A edição de "Branca de Neve" de Jabob e Wilhelm Grimm adaptada por Laurence Bourguignon e ilustrada por Quentin Gréban faz parte do Programa Nacional da Biblioteca Escola de 2014, ele deve integrar o acervo das escolas e creches publicas de todo Brasil, eu peguei emprestado da creche na qual trabalho. A leitura dele é indicada para crianças entre 6 e 10 anos.
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