A presença da cultura francesa foi marcante no mundo inteiro durante muito tempo. Bens simbólicos e materiais da França chegavam aos quatro cantos do planeta, trazendo consigo as marcas de um eurocentrismo que se julgava universal. No Brasil, essa cultura floresceu a partir do século XIX e implantou-se, de maneira dominante, durante mais de cem anos, até começar a perder a hegemonia para a cultura norte-americana. Foi, entretanto, na virada do século, que as marcas francesas se fizeram mais evidentes, provocando a inserção compulsória do Brasil na Belle Époque. Naquele momento, o Rio de Janeiro, a Capital Federal, moderniza-se, sob o signo do cosmopolitismo parisiense, que mal se adapta a uma cidade ainda de feição colonial. O Rio, então, imita Paris, a Cidade-Espelho. Nesse processo de modernização, aqui autoritário e excludente, é que João do Rio, um dos intelectuais mais identificados com a cultura europeia e, em especial, com a francesa, produz sua prolífica obra. Por este viés, este trabalho quer captar as imagens de Paris nos trópicos, privilegiando a crônica desse repórter-flâneur. Copiando Paris, descreve ele o Rio de Janeiro, não só para mostrar o lado chic das camadas aburguesadas, mas também para dramatizar os aspectos da miséria que as reformas modernizadoras tentavam esconder.
Imagens de Paris nos Trópicos
Angela F. Perricone Pastura
Vermelho Marinho
2014
250 páginas
8h 20m
ISBN-13: 9788582650400
Português Brasileiro
Edições (1)
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