Quando soube do lançamento do romance “Mulher de Um Homem Só”, de Alex Castro, interessei-me por ser jornalista. Logo pensei em colocar o título na lista de livros do caderno de cultura do jornal em que trabalho. Eu gosto de conhecer histórias de livros independentes e dou a maior força sempre que posso. Nesse caso, o moço merecia um espaço.
O livro foi baixado na internet mais de 30 mil vezes entre 2002 e 2006 e para publicar o romance, Castro lançou um sistema para que os próprios leitores viabilizassem os custos de produção. Assim, abriu as vendas antes mesmo de o livro existir.
Comprei o livro, porque como escritora, sei como é batalhar por uma obra. Fiz questão de participar desse processo. Como jornalista, recebi uma cópia em PDF. Decidi, então, começar a ler o arquivo antes de receber o livro impresso. “Só um tantinho, pra ter uma ideia da história”, eu propus a mim mesma. E esse pouco transformou-se em um livro lido inteiro, pela tela de um computador, em dois dias. Lido não… Devorado.
Eu fiquei encantada com o estilo de Castro. Com a velocidade dos acontecimentos, com a narrativa onisciente – o escritor é corajoso, gente, escreve em primeira pessoa como mulher e ainda inova quando coloca a narradora em todos os lugares, uma semi-deusa – e com todo o desenrolar dos acontecimentos. Fiquei curiosa para saber o motivo de algumas lacunas, que certamente foram propositais, e até mesmo de descobrir o que acontece depois que o livro acaba. Porque, na boa, o livro acabou e deixou um gosto de que não podia ter acabado. Sacanagem.
Eu não conheço Castro, nunca o vi, só nos falamos pela internet profissionalmente, não era nem mesmo leitora do seu blog. Mas agora, leitores amigos, eu vou ser, sim. Você também deveria.
Fernanda França
(Resenha publicada em www.fernandafranca.com.br no dia 10/08/2009 - link direto em http://fernandafranca.com.br/blog/?p=404)