Asakawa é um ótimo jornalista, com uma posição não tão elevada nem decaída, mas que perdeu um pouco de seu prestígio no jornal onde trabalha, por se deixar levar pelas crenças sobrenaturais. Ele tenta levar uma vida comum, com sua esposa e filha, mas o desconhecido novamente cruza seu caminho quando acontece algo incomum e curioso: sua sobrinha, de apenas dezessete anos, morreu em casa quando os pais estavam fora, e a causa da morte determinada foi enfarto.
Intriga-no que sua sobrinha, tão jovem, tenha morrido desta forma tão esquisita, mesmo que ninguém mais parece contestar. Asakawa fica ainda mais intrigado quando descobre que o namorado dela, de dezenove anos, morreu no mesmo dia e na mesma hora, do mesmo jeito. Mais ainda: outro casal, amigos dos dois, também.
Começa então a investigação de Asakawa, que está determinado a descobrir o que causou as mortes dos quatro jovens e, possivelmente, escrever uma matéria para o jornal, apesar de seu chefe não gostar de ver a temática sobrenatural de volta. Com a ajuda de um antigo colega, o jornalista irá atrás de pistas sobre o quê os adolescentes fizeram para morrer tão curiosamente, no mesmo dia e na mesma hora, sob as mesmas condições.
Os dois descobrem que a sobrinha de Asakawa e seus amigos passaram um fim de semana em um clube, exatamente sete dias antes de suas mortes. Se hospedando no mesmo chalé onde eles ficaram, Asakawa descobre algo estranho: uma fita de vídeo com imagens abstratas e de pessoas, sem qualquer nexo.
Esta estória, acredito, todos conhecem pelo filme. Afinal, quem não se lembra da Sadako, ou Samara, do filme americano? Apesar de ser bem famoso, acho que pouca gente sabia que The Ring tem livro (me incluo). Descobri por acaso, na página Mangas de Junji Ito *página muito boa* e assim que baixei, resolvi ler, de curiosidade. Assisti ao filme americano recentemente, já o japonês quando era bem mais nova, e como adoro terror, estava interessada na leitura.
Há muitas diferenças entre o livro e os dois filmes, a começar pelo protagonista principal, que é um homem. De modo geral, somente a base é a mesma, com mortes de adolescentes, uma fita de vídeo e uma pessoa causadora da morte. Além disso, no livro não tem uma famosa cena. Revoltante!
Mas não compararei o livro com os filmes neste post, talvez eu faça um depois, quando assistir novamente ao filme japonês.
Voltando ao livro, o mistério é bem envolvente, mas admito que não fiquei tão ansiosa a ponto de devorar por já saber - como todos - como aconteceram as mortes. Me surpreendi positivamente, então, com as diferenças, que tornaram a estória diferente e imprevisível.
A parte investigativa, no começo, não me convenceu. Me pareceu aqueles jogos point-click de escape ou investigações pouco elaborados, onde tudo já tem local certinho para onde ir, mas, aos poucos, depois que a fita foi descoberta, começou a ficar melhor, me surpreendendo com a inteligência de Akasawa.
"Pero sí sabía que hay miedos que crecen solos en la imaginación.
Mas sabia que existem medos que crescem apenas na imaginação. "
A narrativa minuciosa me cansou um pouco, mas foi boa para nos sentirmos dentro da estória e conhecer melhor cada personagem que aparecia. Akasawa foi um grande personagem, esperto e um pouco impulsivo, ás vezes. Seu colega, Ryuji, também teve muito destaque. Apesar de eu não gostar nem um pouco dele, tenho de admitir que ele teve um raciocínio brilhante.
The Ring, além do mistério que prende o leitor, traz muitas reflexões, incluindo o fato de que é reconfortante acreditar em qualquer coisa que a ciência diz por medo do sobrenatural, do desconhecido.
Houveram muitas cenas de tensão no final, com revelações muito chocantes mesmo, que eu nunca imaginaria. O desfecho foi igual ao do filme, e pouco satisfatório para mim, mas foram explicadas várias coisas.
Apesar de não ter havido muito terror, gostei muito do livro e fiquei presa em vários momentos.