Este é um livro de ficção distópica sáfica que me surpreendeu por seu forte teor político, algo que eu não esperava, e digo isso de forma positiva. A obra não só superou minhas expectativas como também me impactou pelas críticas sociais bem construídas. Um dos aspectos que mais me chamou a atenção foi a maneira como a autora, Diedra, desenvolveu as hierarquias sociais dentro desse universo distópico. A divisão entre as classes é trabalhada de forma inteligente e, para qualquer pessoa que tenha uma compreensão básica sobre consciência de classe, as críticas propostas pela autora ficam evidentes e potentes.
A leitura constantemente me provocou reflexões sobre a desigualdade, sobre o acesso às necessidades básicas, como fome e moradia, e também sobre como tudo isso se conecta com as questões de gênero dentro da sociedade. Preciso confessar que o início foi um pouco desafiador para mim; demorei um pouco para me envolver com a narrativa. Porém, após os primeiros capítulos, a leitura fluiu e me prendeu.
Sobre as personagens, tive experiências bem diferentes, não consegui criar conexão com a Sofia, mas, por outro lado, desenvolvi uma identificação com Alex, que se tornou uma das minhas favoritas da história. Se eu pudesse apontar algo que senti falta, seria de uma construção mais detalhada sobre como o mundo chegou a esse cenário distópico. Em alguns momentos, a ambientação pareceu oscilar entre elementos que remetem a períodos medievais e outros claramente distópicos, o que me gerou certa curiosidade sobre essa transição. Acredito que a narrativa teria ganhado ainda mais força com esse aprofundamento.
Além disso, senti que a sinopse poderia oferecer mais informações sobre a proposta do livro, já que, para mim, ela ficou um pouco vaga e não reflete o conteúdo denso e reflexivo da obra. Mas vale a pena, é uma leitura que aborda temas sociais urgentes, com uma trama sáfica que entrega representatividade, questionamentos e provocações.