O livro tenta passar a mensagem da importância do brincar em meio a natureza, longe das telas, mas a história é muito pobre e óbvia (texto e ilustrações), fatores que já explicam a nota baixa; mas como se não bastasse, o livro ainda reforça o racismo estrutural, colocando a figura do negro como mão de obra barata e pessoa escandalosa. Na história, Maria, uma mulher negra, é empregada doméstica na casa de uma família de brancos (aparentemente classe média alta). A autora reforça ainda o racismo ao descrever Maria como uma pessoa que fala alto, ri alto e é engraçada. É preciso lembrar que a única descrição apresentada no livro sobre o pai e mãe de Miguel é que são pessoas legais e boazinhas, que trabalham muito e não têm tempo para ele. Será que a autora não achou relevante descrever as características dos pais assim como descreveu de Maria? Será que a autora não pensou o quanto sua abordagem reforça o racismo estrutural e o quanto é prejudicial para as crianças (principalmente para as crianças negras)?
Precisamos de livros infantis que ampliem repertório, que desenvolvam o imaginário, que sejam prazerosos (livros não servem apenas para ensinar algo), que sejam empoderadores, que favoreçam discussões sobre questões sociais, que desconstruam padrões, que contribuam com a interpretação e enriqueçam a leitura - de texto e imagens, livros são alimentos. Com o que temos nutrido nossas crianças?
Chega de textos pobres e ilustrações óbvias! Nossas crianças precisam e merecem mais.