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    Da Natureza das Coisas - De Rerum Natura

    Lucrécio

    Relogio D'agua
    2015
    406 páginas
    13h 32m
    ISBN-13: 9789896414849
    Português Brasileiro
    4.4
    43 avaliações
    Leram70Lendo14Querem373Relendo0Abandonos4Resenhas10
    Favoritos2Desejados373Avaliaram43

    O poema filosófico "Da Natureza das Coisas" ("De Rerum Natura"), escrito por volta do ano 50 a.C., pelo romano Tito Lucrécio Caro, é uma das mais importantes obras da Antiguidade Clássica. A grandeza poética do livro foi reconhecida de modo quase imediato. Ovídio escreveu que "os versos do sublime Lucrécio" iriam perdurar enquanto o mundo existisse. Cícero declarou que o poema era "não apenas rico em brilhante engenhosidade, como artisticamente elevado". E Virgílio, que segundo algumas crônicas praticou o ritual romano de passagem à idade adulta no mesmo dia em que Lucrécio faleceu, prestou-lhe homenagem, dizendo que era o homem que conseguiu "encontrar a causa das coisas e que tinha espezinhado todos os temores".

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    Luisa Coquemala25/05/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aprendendo a morrer com Lucrécio

    Em Hannah e suas irmãs, o personagem interpretado por Woddy Allen, declaradamente ateu, entra em conflito: o fim está próximo e é inevitável, vamos morrer e aí tudo se acaba para sempre. Mickey Sacks, comicamente, passa a procurar diversas maneiras de se convencer do contrário. Primeiramente, tenta acreditar em qualquer religião, mas falha miseravelmente. Então, lendo poetas e pensadores, vê seu conflito interno apenas mais aprofundado. Mickey, depois de quase se matar, acaba superando a grande questão. Como isso acontece, infelizmente, eu não posso contar a vocês - afinal, acabaria estragando o final do que, para mim, é o melhor filme de Woody Allen. (Mas, enfim, aproveitem e vejam o filme) Se eu pudesse falar com Mickey, o aconselharia a ler Lucrécio- um poeta revelador que viveu no primeiro século antes de Cristo. Lucrécio não é o que chamamos propriamente de ateu: afinal, em De Rerum Natura, seu grande poema, ele nega a providência divina, a vida após a morte e os ritos religiosos, mas não nega os deuses em si (mesmo que, ironicamente, eles acabem não servindo para nada). Inspirado sobretudo em Epicuro, o verdadeiro deus de Lucrécio era a natureza. Aí está o grande ensinamento do poeta, o que eu acho que Mickey gostaria de ter sabido. Primeiramente: se não há vida após a morte, a morte não é nada e, logo, não há razão para temê-la. E essa não é uma ideia totalmente negativa justamente porque nos leva a encarar a vida de uma outra maneira. Para Lucrécio, temos que aproveitar a chance de passar pela vida e agarrá-la com o que podemos. Contudo, não devemos fazê-lo de modo desesperado, mas sim aproveitando a vida em cada um de seus detalhes. Um crepúsculo, o cheiro da chuva, um bom livro. Tentar tirar o melhor, o mais proveitoso das nossas obrigações diárias - e, claro, realizá-las com o melhor de nós. Aprender com amor e gratidão sobre o mundo em que vivemos. Sem maldade, sem ódio, sem grandes ostentações, apenas olhos atentos para enxergar o melhor - o que, obviamente, não nega a existência de males. A meu ver, muitos cristãos têm muito a aprender com Lucrécio (mesmo que nem todos o aceitem). Afinal, nem tudo o que nega nossa crença é necessariamente ruim ou mau. Há outras visões, outras perspectivas. A sabedoria contemplativa de Lucrécio (que me lembra muito a de Jesus) ensina isso. Aceitação é o verdadeiro amor ao próximo: ele não está em rituais ou superstições, está em nós, na maneira como guiamos nossa trajetória e colhemos nossos frutos. Então, depois de uma vida leve e em busca do conhecimento, poderíamos partir com um suspiro aliviado, felizes pela experiência, gratos e conectados com a vida. A seguir, nosso corpo se decompõe e podemos continuar fazendo parte do funcionamento do mundo que tanto já nos deu. E, como diria Montaigne, quem sabe, depois de milhares de anos, o que foi parte de nós não constitua outras vidas, outras consciências, num ciclo que se repete indefinidamente? Talvez aceitar o fim da vida faça dela algo mais verdadeiro. Não há necessidade de lutar contra a idade, de ter pressa. Basta apreciar a vida, buscar o conhecimento que te torna uma pessoa melhor e contribuir, mesmo que pouco, com o mundo. É isso que eu gostaria de ter falado para Mickey (mesmo que ele acabe chegando, de outras maneiras, mais ou menos à mesma conclusão): não devemos nos desesperar porque pode ser uma só vida, mas entender que essa única vale a pena nas coisas mais simples e sinceras. A grande dádiva da experiência é justamente ser parte dela. Muitos anos depois, é o que a sabedoria milenar de Lucrécio nos ensina e, depois de passar por ela, sinto que posso começar a respirar com leveza.

    9 curtidas

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    Titus Lucretius Carus

    É provável que tenha nascido em Roma, onde foi educado. Sua fama decorre do poema De rerum natura (Sobre a natureza das coisas), onde expõe a filosofia de Epicuro de Samos. Para Lucrécio, o epicurismo era a chave que poderia desvendar os segredos do universo e garantir a felicidade humana. Tão entusiasmado ficou que se propôs a tarefa de libertar os romanos do domínio religioso através do conhecimento da filosofia epicurista. Em De rerum natura Lucrécio apresenta a teoria de que a luz visível seria composta de pequenas partículas. Teoria incompleta, apesar de bastante consistente, é uma espécie de visão antiga da atual teoria dos fótons. Também neste poema, Lucrécio sustenta a ideia da existência de criaturas vivas que, apesar de invisíveis, teriam a capacidade de causar doenças. Esta ideia representa na realidade a base da microbiologia. Além de fonte preciosa para o conhecimento do epicurismo, o poema de Lucrécio tem grande importância literária e seus versos consagram o autor como um dos maiores poetas latinos.

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    Titus Lucretius Carus