Vandré - O homem que disse não

    Jorge Fernando dos Santos

    Geração Editorial
    2015
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-13: 9788581303154
    Português Brasileiro

    Quem foi Geraldo Vandré? Por que ele se tornou amado pelo público e odiado pelos militares na ditadura? Por que sua canção se tornou um hino - Para não dizer que não falei das flores – Caminhando - jamais esquecida durante décadas? O que aconteceu com ele no exílio e depois que retornou ao Brasil? Gênio? Louco, por causa das torturas? Nesta biografia emocionante, crucial e NÃO AUTORIZADA, Jorge Fernando dos Santos conta a história da vida e da obra deste artista que se tornou ícone da canção brasileira no auge dos "anos de chumbo", mas acabou se afastando dos palcos, para a perplexidade dos fãs.

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    Natalia Araújo24/12/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Confesso que não sabia que Vandré era o autor da canção mais badalada no mundo. Sabia que ele foi considerado o maior enigma da MPB. Odiado por muitos, amado por muitos outros. Parece até exagero, mas essa música a gente ouve todos os anos, até mesmo em comerciais da Rede Globo nos finais de ano. “Para não dizer que não falei das flores” (Caminhando) é uma canção ícone de Vandré, que sacudiu um festival da canção e levou o público a vaiar Tom Jobim e Chico Buarque. A música tem uma letra fortíssima e foi escrita no período da ditadura, tornando-se um êxito popular sem precedentes e que atraiu sobre si o ódio encarniçado e destruidor dos militares no ano de 1964. Essa canção, como relata o autor, tornou-se um hino e jamais foi esquecida durante décadas. Depois de todo esse rebuliço, Vandré precisou sair do país para lutar por uma vida melhor e, ao retornar, já no final da ditadura, resolveu abandonar a música e se dedicar em ser apenas advogado. No entanto, seu comportamento diferenciado fazia com que as pessoas acreditassem que ele tinha enlouquecido, por causa da perseguição e das possíveis torturas que podem ter lhe provocado sérios danos psicológicos – porém, nada foi comprovado. Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão. A obra é recheada de descobertas que faz o leitor ficar abismado. Na verdade, este livro é uma biografia não autorizada, escrita pelo jornalista Jorge Fernando dos Santos. O autor tem o objetivo de mostrar, através de uma reconstituição de vida e de época, quem foi Geraldo Vandré e que tornará tudo muito emocionante e revelador. Quando a gente acha que já viu de tudo, sempre surge algo que pode nos surpreender. Vandré sempre foi muito crítico a tudo o que lhe era mostrado e que parecesse opressivo. Sua personalidade forte o tornou convicto do que queria e do que julgava ser certo. Porém, mesmo assim ele conseguiu conquistar o país através de suas letras que contestavam a situação atual do país. Vale salientar que Vandré se recusou a colaborar com o trabalho do autor. Fernando fez muitas e vastas pesquisas e entrevistas para desvendar os mistérios, mas Vandré permaneceu calado e em nada auxiliou. Ele não é o tipo de homem ligado a ser o centro das atenções, a ser entrevistado e aparecer na mídia. Ele é um homem recluso, mas mesmo assim muita gente conhece seu trabalho, porém, nem todas elas sabem que é de sua autoria – como foi o meu caso. A diagramação do livro foi muito bem feita, embora as páginas sejam brancas. Além disso, na obra contém fotos dele e de outros famosos. Um trabalho impecável e que ninguém poderia colocar defeito na estética, claro, tirando a cor das laudas. Contudo, confesso que, mesmo sendo brancas, não torna a leitura cansativa. Nas escolas, nas ruas, campos, construções Somos todos soldados, armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição. Quote: “Penso que ninguém é dono da própria história. Todo acontecimento permite várias interpretações. Por isso uma vida pode merecer diferentes abordagens, pois toda pesquisa biográfica resulta numa espécie de quebra-cabeça no qual sempre faltam algumas peças” (p. 13).

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