Loucura... foi a primeira obra de Sá-Carneiro com a qual tomei contato... minha relutância foi originária de uma crítica ouvida há muito tempo atrás, mais fundamentada na possível sexualidade do autor do que na qualidade de seus escritos. Esse livro em específico terminou sendo escolhido para a compleição de um desafio - que bom que assim foi.
É uma obra pequena, quase uma noveleta, que em estilo autobiográfico expõe as observações do autor (em auto-inserção) sobre a vida de um casal. Raul, o escultor, é uma típica representação do gênio indomável que se embriaga com seus atos - a Beleza, sua obsessão, se torna a responsável por seus atos e decisões: não adianta criá-la ou possuí-la, é preciso exibi-la.
Sua personalidade não é apenas egocêntrica, narcisista, ela é maníaca, obsessiva, e Sá-Carneiro se esmera em trazer isso à tona - são linhas e linhas de narração violenta e sensual que mesmo na atualidade poderia ser facilmente classificada como literatura de nicho.
O autor se mostra como um voyeur e mesmo em seu repúdio por certos atos, ainda se revela interessado, atraído pelo que ele próprio julga indecente. E com ele, também somos expostos, transformados em voyeurs por sua escrita.
Ao final da história, é quase impossível saber se ela é realmente ficcional ou não.