Durante muito tempo fui leitora ávida de romances históricos, mas depois de tantos livros observei que estava lendo mais do mesmo...
Como tenho grande admiração por algumas autoras nacionais, resolvi tentar seus romances de época para ver se o meu entusiasmo pelo gênero voltaria. Mas, percebi que, apesar de serem brasileiras, seus cenários eram de outros países e para mim isso soou falso. Eram repetições de cenas e hábitos ingleses que li em quase todos os romances de época de autoras estrangeiras.
Percebi que nossas autoras perdem uma oportunidade rara de conquistar um público ávido por conhecer a História do Brasil de forma romanceada, como alguns autores sabiamente costumam apresentar.
Como por exemplo, a querida Diana Gabaldon em sua interminável saga Outlander, ou Madeleine Hunter que insere personagens reais em seus vários romances. Caleb Carr fez uma pesquisa vigorosa sobre Nova York ao escrever O Alienista e Anjo das Trevas. E, não posso esquecer jamais um de meus livros favoritos O Egípcio, de Mika Waltari. Florencia Bonelli deu uma verdadeira aula sobre as Províncias Unidas do Rio da Prata, em O Quarto Arcano.
Quem não gostaria de estudar a história de seu país de forma tão agradável?
Você já percebeu o quanto se aprende com a leitura de um romance divertido e sem maiores pretensões? Então, por que repetir uma fórmula gasta mesmo que ainda tenha um público fiel? Mas, sempre me pergunto – Até quando? Por que não apresentar aos leitores uma sinhazinha do Vale do Café? De uma província distante da capital do reinado brasileiro? Ou, talvez, uma jovem baronesa tentando aprender o maxixe? Sei lá, eu adoraria!
E, foi por caminhos estranhos e aflitivos que comecei a prestar muito atenção em uma reprodução barata de uma pintura retratando uma jovem dama da corte simplesmente belíssima a meus olhos. Talvez, até porque onde eu a via era um corredor que me levava rumo à esperança...
É difícil morar no Vale do Café e não ouvir falar sobre Eufrásia Teixeira Leite. Ela, a dama do retrato, nasceu em 1850 e foi uma mulher a frente do seu tempo. Simplesmente fabulosa!
E, foi com esse pensamento e curiosidade que procurei um livro que falasse em detalhes sobre essa personalidade absolutamente fantástica.
Encontrei alguns, muitos com preços muito acima do meu orçamento, portanto o ebook da Ana Maria Machado, na Amazon, me pareceu adequado, pois acreditei nas qualidades narrativas mais que provadas dessa autora Imortal e premiada. Porém, oitenta por cento do livro é sobre Joaquim Nabuco, o grande e verdadeiro amor de Eufrásia, Zizinha para os íntimos, e sobre a política brasileira, que pasmem, querido leitor, não mudou nadinha, apesar de alguns poucos políticos honestos.
Ana Maria Machado fez o básico, falou sobre Joaquim Nabuco, imagino que por ser mais fácil e rápido de encontrar farto material sobre esse homem público e sua batalha pela abolição da escravatura.
Mas, sobre Eufrásia, minha adorada benfeitora, senhora absoluta da cidade de Vassouras, minha “ídola” amada e admirada, quase nada além do que encontramos em uma busca rápida no Google.
Portanto, mesmo gostando da narrativa recheada de fatos de domínio público, fiquei sem saber mais do que já sabia sobre a vida de Eufrásia, que sempre foi meu principal objetivo.
Gostei, mas não muito.