Resenha em português:
Estou tentando organizar meus pensamentos para falar desse livro. Ele despertou tantos sentimentos dentro de mim que mal consigo descrever. Com certeza não é um livro para todos. Você precisa ter estômago para conseguir lê-lo. E, mesmo assim, é uma história muito bonita. Simples e bonita. E gosto de histórias assim.
Este livro é uma releitura de Alice no País das Maravilhas. Vou tentar resumir aqui do que a história se trata sem dar spoilers:
Quando Alice tinha 16 anos, ela entrou pelo buraco do coelho. Quando voltou, estava traumatizada, com sangue escorrendo por entre as pernas e repetindo sem parar sobre um Homem-coelho. Colocarei aqui um trecho que traduzi:
"Alguém havia lhe dado uma xícara de chá uma vez, alguém com olhos azul-esverdeados e orelhas compridas. Engraçado como ela não conseguia se lembrar do rosto dele. Toda essa parte estava nebulosa, suas lembranças dele se perdendo em fumaça, exceto os olhos e as orelhas, as orelhas que eram longas e peludas. Quando a encontraram, tudo o que ela dizia era: "O Coelho. O Coelho. O Coelho". Sem parar. Quando continuou a agir assim, disseram que ela estava louca. Alice sabia que não estava louca. Talvez. Não lá no fundo. Mas os remédios que lhe davam fizeram o mundo todo ficar confuso e torto, e às vezes ela mesma se sentia louca."
A história começa dez anos depois disso. Alice está em um sanatório. A única pessoa que ela pode considerar como amigo é o paciente da cela ao lado, com o qual ela fala por um buraco na parede. Ela o chama de Hatcher. Acho que ele é uma releitura do "Mad Hatter" (Chapeleiro Maluco), mas é chamado de Hatcher por ter sido encontrado com um machado ensanguentado nas mãos e vários homens mortos ao redor. Ele também não lembra de nada antes disso.
Quando o sanatório pega fogo, os dois fogem. Enretanto, infelizmente, algo que também estava preso lá dentro, uma criatura feita de pesadelos chamada Jabberwock, está à solta. Hatcher pode senti-lo. Os dois precisam impedi-lo e, para isso, precisam falar com aqueles que dominam aquela cidade de horrores... e um deles é o Coelho.
Sempre achei Alice no País das Maravilhas uma história estranha. Não é uma história bonitinha. E nessa releitura parece que todos os medos escondidos nessa história vêm à tona. A cidade por onde eles devem andar (Old City) é separada em distritos e dominada por líderes de gangues. Os maiores são: o Carpinteiro (The Carpinter), a Morsa (the Walrus), o Gato (Cheshire), a Lagarta (the Caterpillar) e o Coelho (the Rabbit). Sim, todos personagens da história original, reimaginados nessa história como seres terríveis.
Preciso avisar que há MUITA referência a estupro nessa história. A própria Alice tem a vaga lembrança de ter sido estuprada pelo coelho. E parece que praticamente nenhuma mulher está a salvo nessa cidade. É como se elas fossem moeda de troca e são tratadas das formas mais cruéis e inimagináveis.
Mas então por que essa história é boa? Porque, por baixo de tanta coisa horrível, ela é linda! Alice, apesar de ser uma mulher de 26 anos, tem uma inocência que é muito bonita, e a relação dela com Hatcher também é algo tão bonito que chega a fazer o nosso coração doer. E Hatcher não é novinho. Ele tem quase ou cerca de 40 anos. Mas ele é um personagem incrível! Os dois não são muito bons da cabeça e você vai seguindo e vendo a história pelos olhos deles, pelo medo e coragem e inocência deles. É muito bonito!
E os confrontos com os vilões, e o desfecho... tudo foi tão diferente do que eu imaginava que seria! Tão simples e belo em sua simplicidade! É complicado quando você sente algo por uma história e não sabe explicar. Talvez quando você ler, não sinta a mesma coisa, mas eu sei que senti, e por isso ela vai para junto das minhas favoritas.
Resenha com spoilers: https://www.goodreads.com/review/show/2181799336