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    Vertigens

    Wilson Alves-Bezerra

    Iluminuras
    2015
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-10: 8573214686
    Português Brasileiro
    4.1
    5 avaliações
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    Como si Raduan Nassar – esse filho de libaneses que fez poesia do romance – fosse recriado na procacidade do vidrinho do argentino Luis Gusmán, os fragmentos de Vertigens despejam as suas imagens a partir de uma erótica que mama de vários leites estrangeiros e, centralmente, da poesia como estrangeira da língua, ou da poesia entendida como exercício de exílio da prosa. O resultado- um português gozosamente inventado e, portanto, desencaixado de todo imaginário de correção e regionalização, dúctil para acompanhar a fluência de cenas de uma corporalidade fugidia e nua. Poderíamos nos perguntar se, em Vertigens, os corpos são a língua (puro imaginário) e os corpos habitados pelo desejo a poesia, mas a vertigem está aqui precisamente na nunca tornada ilusão de movimento, na imobilidade de um corpo que vê-se, contudo, sacudido pelo movimento, tropo, da metáfora. Então- nada de respostas, nada (o quase nada) de enredo ou de intrigas. A sucessão de instantâneas, os veintinove pedaços que com­põem este livro, bem poderão conformar uma fita (caprichosamente numerada) mas não irão conformar nenhum filme, nenhuma história, senão mais bem a reminiscência onírica de restos de historias sobre as quais o narrador arrisca – por momentos – possibilidades de reflexão. Nesse atravessar, descobrimos sim, algumas obsessões- a mulher, as mulheres, a escrita, as escritas, a língua, as línguas e, sintomaticamente, o leite (na sua dupla conotação – tão riopratense – de semente e de nutriente); isto tudo em espaços fronteiriços, vislumbres de cidades e de bordas da mata, quartos de hotel barato pelos que cruzam personagens nada prototípicos e condenados sempre ao olho cru de um narrador/demiurgo eminentemente visual e voyeur; um narrador que longe de todo lirismo melancólico parece cultuar a felicidade de se travestir em flaneur de seu próprio e marginal aleph. Fita e não filme, Vertigens opera então, nas caminhadas desse olho algo reflexivo, certa persistência, um ritornello pelo qual o antropofágico final poderia se colar ao inicio, como se nada finalmente tivesse acontecido e a instantaneidade da imagem ganhasse da progressão da prosa, pois sempre houve aqui menos uma amalgama que uma luta amorosa, o impossível acasalamento ou copula do corpo e da letra, impossibilidade que impulsiona o desejo e que convoca não só (algo neobarrocamente) os materiais escorregadios (lesma, salivas, geleias) que neste percurso (ao gosto do leitor) vamos tocando, mas principalmente a própria língua, fluida e aberta a um dizer poético do mundo.

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    Wilson Alves-Bezerra profile picture

    Wilson Alves-Bezerra

    Wilson Alves-Bezerra é poeta, biógrafo e tradutor. É autor de Vertigens (Iluminuras, 2015, Prêmio Jabuti de Poesia – escolha do leitor), O pau do Brasil (Urutau, 2016-20), Vapor barato (Iluminuras, 2018) e Catecismo moreninho (Livraria Orgânica, disco de poemas em streaming, 2020), entre outros.

    7 Livros
    0 Seguidor
    São Paulo , Brasil

    Wilson Alves-Bezerra