Sou um pouco suspeita pra falar de romances de época, mas esse foi um dos que li mais rápido do que costumo ler. Esse livro te prende tanto na história... E não é uma história qualquer que conta de lindas princesas que esperam seu lugar no trono... Pessoas ricas, cheias de frufru, europerizadas, não. Esse livro tem o verdadeiro toque brasileiro em cada linha, cada narrativa.
O livro se passa na época do império - bem coisa de D. Pedro II - em que ainda havia tráfico de escravos negros, sinhás, senzalas, engenhos de açúcar e casas grandes de famílias ricas.
Catarina é a filha do senhor de engenho, Senhor Pedro. Ela é uma menina inocente em mente, que perdeu sua mãe ainda muito jovem e foi criada pelo seu pai e cuidada com muito carinho por Nana, a mucama da casa grande. Catarina sempre foi apaixonada em Nana pelo carinho e atenção que ela lhe passava, sempre tratando-a como se fosse sua própria mãe.
Seu pai forjou seu casamento com um jovem rapaz de 20 anos, muito educado e de boa família chamado Heitor. Mas na sua doce inocência, Heitor se viu em desafio a lhe dar as realizações do matrimônio, tendo assim esperado-a amadurecer o suficiente até tornar-se mulher e entender realmente a natureza de um matrimônio na época que era casar, obedecer, reproduzir e morrer.
Até o final do livro, em que Catarina vai se desenvolvendo física e mentalmente, dá para se perceber que ela é inteligente, criativa, bem humorada e muito cheia de fé. Fiquei apaixonada em como Heitor guardou a inocência de sua esposa até ela estar preparada pra encarar a vida na "malícia", ja que na época era comum meninas novas ao se tornarem 'mulheres' casarem-se forjadas com um homem mais velho dependendo de suas condições financeiras e sociais.
A escrita é simples, mesmo que um pouco de época, dá para ler facilmente e imaginar as cenas como se estivesse em um teatro. Esse livro realmente me intrigou pois mostrou um pouco da realidade vivida por escravos negros na época da colonização. E me faz pensar: como nós, humanos, fizemos isso com nossa própria espécie?
A história me trouxe um pouco a história de minha terra, Petrópolis, ícone de colonização e fuga de D. Pedro II.. Me fez viajar na época em que tudo começou a se concretizar.
Para quem gosta de romances de época, esse é um livro para se colocar no topo da lista de "quero ler".
Obrigada Ania, por me conceder uma leitura tão gostosa e rápida, e que esta resenha chegue de braços abertos e bem rápido "vizinha" ;D