Mais um bom romance de Paulo Scott, um dos melhores escritores brasileiros contemporâneos. O Ano em que Vivi de Literatura apresenta novamente sua linguagem ágil, formalmente perfeita, marcada pelas vírgulas que substituem os pontos e deixam a leitura dinâmica (lembrando, ao longe, a pontuação caudalosa de Saramago).
Tematicamente, o autor trata do Brasil contemporâneo e de suas relações velozes, frugais, superficiais; e mais especificamente da vida de um escritor, recém-vencedor de um vultuoso prêmio literário, preso num ciclo vicioso de sexo, bebedeiras e relações instantâneas. A narrativa, apesar de entrecortada, é bem amarrada no seu todo, e aos poucos forma um mosaico rico e verossímil de seu protagonista; e que casa perfeitamente com a história que se quer contar: um romance fragmentado para um tempo fragmentado, um legítimo romance de nosso tempo.
Mesmo que não tão bom quanto Habitante Irreal (este, além da ótima linguagem do autor, dotado de incrível pulsão narrativa), O Ano em Que Vive de Literatura é mais um bom livro de um dos nossos melhores escritores deste século.