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    Altamira e sua história

    Antônio Ubirajara Bogea Umbuzeiro, Ubirajara Marques Umbuzeiro

    Fundo Vale
    2012
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-13: 9788563312150
    Português Brasileiro
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    No ano em que se comemora 100 anos da criação do Município de Altamira, o Fundo Vale tem a honra de apoiar a edição de um verdadeiro tesouro, escrito com requinte e dedicação de quem lapida um diamante. Os relatos dessa obra modificam a visão histórica convencional da chegada dos desbravadores nordestinos à região que deu origem à cidade, em 1883, simbolizando a vitória ao se estabelecerem acima da Volta Grande do Xingu. Muito antes desses episódios já é possível resgatar a presença e influência de culturas distintas e olhares científicos sobre a região. Tão emocionante quanto esse regresso aos primórdios dos registros mais antigos são os recortes para as visões de Altamira ao comemorar 50 e 100 anos como Município. Imperdível para quem admira um trabalho de excelência e inesquecível para quem ama Altamira com todo coração. Respeitar a sociobiodiversidade e incentivar o desenvolvimento local são premissas básicas para o trabalho do Fundo Vale, que vislumbra em Altamira uma peculiaridade única rumo a uma agenda sustentável com potencial para vir a ser um exemplo para toda a Amazônia.

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    Amapá e Amazônia26/03/2019Resenhou um livro
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    "Levei nove meses para conseguir fundir as informações levantadas pelo meu pai sobre a fundação de Altamira e Vitória do Xingu e a passagem dos jesuítas com os documentos do portal americano, que ajudaram a montar o quebra-cabeça que resultou no livro Altamira e Sua História", pontua Antônio Ubirajara. MISSÕES RELIGIOSAS De acordo com ele, para melhor compreensão dos fatos ocorridos no Vale do Xingu, pode-se dividir a história da região em cinco grandes ciclos. O primeiro deles foi marcado pela chegada dos jesuítas, entre 1636 e 1637, período em que ocorreu a fundação da primeira vila da região, denominada Itacuruçá. A partir de 1662, começou o processo de desbravamento da Volta Grande do Xingu e as missões religiosas foram retomadas a partir de 1868, por religiosos da ordem franciscana capuchinha. "Foi um ciclo muito difícil de se definir, mas que comprova que os jesuítas passaram por aqui muito antes do que se tinha conhecimento", observa. CICLO DA BORRACHA Já no segundo momento, durante o primeiro ciclo da borracha da Amazônia, ocorreu a fundação de Altamira, em 2 de abril de 1883. A localidade, entretanto, somente ganhou a denominação de município em 1º de janeiro de 1912. Esse período ainda foi marcado pela predominância do coronelismo, migração em massa de nordestinos, chegada da energia elétrica movida a óleo diesel, primeira crise econômica da região e a criação da Prelazia do Xingu (circunscrição eclesiástica) por sacerdotes católicos. "Nesse período, Altamira praticamente triplicou de tamanho por causa da produção de borracha. De pequeno vilarejo, se transformou numa grande cidade", detalha. SEGUNDA GUERRA O terceiro período de desenvolvimento da região ocorreu durante o segundo ciclo da borracha, na mesma época em que parte do mundo vivenciava os horrores da Segunda Guerra Mundial (1936-1945). Milhares de trabalhadores migraram de várias regiões do Brasil, sendo chamados de "os soldados da borracha". "Nessa parte de nossa história, Altamira comemora 50 anos e a data coincide com a chegada dos primeiros engenheiros para construir a rodovia Transamazônica. "E os americanos restauraram estradas, investiram em saúde e no fornecimento da energia elétrica por aqui". TRANSAMAZÔNICA O início de construção da sonhada rodovia, para ligar o país de Norte a Sul, marcou o quarto ciclo da história do Vale do Xingu. A estrada propiciou a criação de agrovilas, conferindo à região uma mistura de manifestações culturais de vários Estados brasileiros Também contribuiu para a fundação dos municípios de Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Rurópolis, Pacajá e Anapu, assim como das primeiras organizações políticas e movimentos indigenistas. "Meu pai dizia que Altamira sem a Transamazônica seria apenas uma cidadezinha isolada à margem do Xingu. A rodovia trouxe mudanças radicais para a região. Houve forte interferência cultural do povo nordestino, até hoje presente no modo de vida dos altamirenses", salienta. BELO MONTE O escritor conclui sua pesquisa com o registro da instalação da Usina Hidrelétrica Belo Monte, e compara a obra ao mesmo avanço obtido com a chegada da Transamazônica à região. Para Antônio Ubirajara, não há como construir uma usina de grande porte sem impactos e o legado positivo do empreendimento será assimilado pela população após a finalização do cumprimento de suas condicionantes. "É impossível não observar as melhorias na saúde, com indicador de malária zero; na educação, com a formação de médicos; no saneamento básico, com o tratamento adequado da água, esgoto e resíduos sólidos", exemplifica. "Não podemos ignorar o fato de que milhares de famílias viviam em palafitas e agora moram em casas de alvenaria, sem a preocupação com os alagamentos", destaca. LEGADO Antônio Ubirajara considera que o livro, lançado em 2012, é um legado histórico para a atual e futuras gerações da região do Xingu. "Documentar tudo isso significa preservar a história de milhares de homens e mulheres que vieram para cá em busca de trabalho, seja na construção da Transamazônica ou de Belo Monte. Nossa missão é a de manter viva não somente a história da formação do Médio Xingu, mas de um Brasil profundo, ainda desconhecido", conclui. RETRANCA No âmbito do Projeto Básico Ambiental da UHE Belo Monte, a história e cultura da região também tiveram vez. O Programa de Patrimônio Histórico, Paisagístico e Cultural compôs um vasto acervo de bens culturais de natureza imaterial." Fonte:

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