O livro Chuva de Novembro, da carioca Pet Torres, nos traz um romance baseado na música November Rain, da banda Guns N' Roses, que por sua vez foi inspirada no conto Without You, do escritor Del James. Apesar da temática bem interessante, a história não foi tão densa e bem desenvolvida quanto eu esperava e a diagramação deixou muito a desejar, com graves erros de ortografia, concordância verbal e acentuação.
Eric Onil perdeu a sua esposa, Vitória, com apenas três meses de casados. Desconsolado e mergulhado em uma depressão profunda, ele passou sete anos de sua vida enclausurado em um quarto escuro, sem querer saber de nada e nem de ninguém. Mergulhado no alcoolismo e na mais absoluta tristeza, surge um anjo em sua vida com a capacidade de resgatá-lo desta melancolia.
Soletude é uma garota do interior que trabalha como garçonete para sobreviver. Quando o irmão de Eric, Alcino, avista a moça trabalhando no bar, logo nota a incrível semelhança entre ela e a sua falecida cunhada Vitória e acredita que ela será capaz de salvar a vida de Eric. Para isso, ele não mede esforços e usando de várias artimanhas, consegue fazer com que a jovem acabe indo trabalhar na mansão Onil como empregada doméstica, cumprindo o seu propósito. Soletude estranha o comportamento hostil e soturno de Eric, mas enxerga muita dor e tristeza no semblante do irmão de seu patrão e aos poucos os dois vão se aproximando...
Sou fã de Guns N' Roses desde criança, bem como de Aerosmith, Skid Row e outras bandas dessa época e foi uma grata surpresa receber o convite de Pet Torres para ler e resenhar uma de suas obras mais recentes, Chuva de Novembro, inspirado em um dos hits de mais sucesso da banda, ao lado de canções consagradas como Don't Cry, Patience e Sweet Child O' Mine. Porém, infelizmente, não curti tanto a leitura do livro quanto eu esperava, pois creio que faltou um aprofundamento maior no enredo e na composição de seus personagens e a diagramação deixou muito a desejar, ofuscando o brilho do livro e em alguns momentos nos trazendo um verdadeiro misto de confusão. Narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista dos personagens principais da trama, o livro acabou não me agradando por completo e confesso que fiquei bastante desapontada com o trabalho de diagramação e revisão da Chiado Editora.
Soletude me lembrou aquelas mocinhas típicas das novelas mexicanas - simples, humilde, de bom coração e totalmente ingênua. Inclusive até o nome da protagonista nos remete aos das heroínas mexicanas, não é mesmo? Pois bem, mesmo Eric a maltratando e por vezes a humilhando, ela se mantém resiliente, apesar de derramar lágrimas e mais lágrimas com isso. A aproximação entre os dois ocorreu de forma muito brusca e foi regada por uma onda de drama e as poucas cenas de romance entre os dois ocorreram de forma rápida e não muito elaborada.
Eric é o mocinho amargurado, perdido no álcool e na dor de perder a mulher que amava. Consegui entender toda a angústia e tristeza do rapaz, mas não o seu amargor e sua fúria desmedida em pessoas inocentes. Outro ponto que me deixou meio inerte na trama foi o fato dele não trabalhar, quebrar tudo dentro de casa durante as suas crises de fúria e ser sustentado docilmente pelo irmão milionário e sua cunhada como se fosse a coisa mais normal da mundo. Como diz aquele velho ditado, "Mente vazia é a oficina do diabo", acredito que se o jovem tivesse uma vida profissional assídua teria sido um personagem mais cativante e menos amargo e revoltado.
Em síntese, Chuva de Novembro nos traz um romance interessante, mas que acabou não sendo explorado em toda a sua totalidade, apesar da temática abrangente e meticulosamente inspiradora. Apesar da falta de densidade, gostei da obra de Pett Torres e é visível que a autora tem muito potencial, porém precisa de um suporte editorial qualificado. A capa do livro é bem simples e a diagramação, infelizmente, deixou muito a desejar, com vários erros de ortografia, concordância verbal e acentuação, fazendo com que muitas das frases perdessem até mesmo o sentido durante a leitura do livro. A fonte alterna entre itálico e negrito e diminui drasticamente de tamanho, mas sem o objetivo de salientar algo dentro do contexto da trama, sendo mera falha da revisão. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar a obra e salientar que gostei da fonte de inspiração da autora, mesmo que não tenha surtido o efeito desejado em mim.