Elena é um vulcão de sentimentos
Segunda obra da Trilogia "Crônicas do mal de Amor", Dias de Abandono foi a obra que mais me agradou dentre as três. Temporalmente se situaria entre o primeiro livro, onde a protagonista ainda não é mãe, e o terceiro, onde a mãe já tem suas filhas em idade entre a adolescência e a vida adulta, em dias de abandono temos uma mãe com dois filhos atravessando o final da infância e início da adolescência. Sem motivo prévio o pai, Mario, comunica a esposa, Olga, que a deixará. E com um abandono repentino, Olga se vê uma mulher dependente, sem vida própria, deixada para trás com os dois filhos. Olga passa a refletir, inicialmente a motivação do seu ex-marido, relembrando passagens específicas do seu matrimônio, em busca de uma razão, uma falha sua ao longo dos anos de casamento. Todas as explosões de sentimentos de Olga, originárias tanto da incompreensão sobre o término do relacionamento, quanto das dificuldades cotidianas de uma mãe sozinha, são transformados por Elena Ferrante em um pano de fundo para narrar a dura realidade da maternidade solitária, desde as dificuldades próprias ao cuidado dos filhos à ausência paterna - um homem incapaz de ficar apenas os finais de semana com os filhos -. A realidade do Divórcio, que nos parece tão presente no Brasil do século XXI, é uma realidade ainda mais latente na Europa. O Brasil (2009) apresentou uma taxa de divórcios de 17%, enquanto na Itália alcançou a marca de 47% (Portugal seria o valor mais representativo: 71%). Divórcios, términos de relacionamento, são consequências que qualquer relacionamento está sujeito; entretanto, desamparar sua família - filhos - abandona-los, isto é uma - Triste - opção que ao longo dos séculos uma parcela relevante dos homens optou por não refletir melhor sobre este ato.

