A experiência da leitura de Preparação para o exercício da chuva, de Alexandre Moraes, é a do questionamento. Não apenas as perguntas que, de forma explícita, oferecem-se ao leitor, mas, como a narradora de A paixão segundo G. H., somos chamados ao exercício de busca por significado sob a força desorganizadora da água, “a água tomando o corpo / a água roubando o sentido”. Como forma de inserir-nos no já extenso universo poético do autor, perguntamo-nos sobre a importância da água em seus textos (não apenas no presente livro, mas também de forma intensa nos dois anteriores, A sequência de todos os passos e Paisagem sobre corpo em silêncio), partindo do título de um poema: qual a possibilidade da água? Seria ela apenas força destruidora que esmaga olhos, toma corpos e sentidos? Ou também aquilo que, ao desconstruir o existente, prepara para a construção, ou talvez seja melhor dizer, para o resgate de uma força, de uma potência construtora — como a nova e positiva barbárie proposta por Benjamin, que resulta da pobreza de experiência? Rafaela Scardino
Preparação para o exercício da Chuva (Coléção Área Clara)
Alexandre Moraes
Aves de água
2010
108 páginas
3h 36m
ISBN-10: 8560574212
Português Brasileiro
Edições (1)
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