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    Paisagens Humanas do meu País -

    Nâzım Hikmet

    34
    2015
    576 páginas
    19h 12m
    ISBN-13: 9788573266085
    Português Brasileiro
    4.7
    6 avaliações
    Leram14Lendo5Querem107Relendo0Abandonos3Resenhas1
    Favoritos5Desejados107Avaliaram6

    Uma velha senhora caminha em meio à multidão na ponte Galata, em Istambul. Carrega um cartaz em que se lê: "Meu filho Nazim Hikmet está fazendo greve de fome. Eu também quero morrer." A foto foi feita em um dia de primavera, as árvores da Pointe-du-Sérail estão floridas. Seu filho, o grande poeta turco Nazim Hikmet (1902-1963), cujo centenário se comemora este ano (leia, nesta edição, o artigo "O comunista romântico, de Charlotte Kan), parece cansado em outra foto do mesmo jornal, de 9 de maio de 1950. "Nazim Hikmet está fazendo greve de fome há seis dias", diz o título em letras garrafais. E, cinqüenta anos depois, no limiar do século XXI, o sub-título parece algo insólito: "O médico da prisão diz que, em caso de perigo de morte, vai intervir1 ." Mas o que vai fazer exatamente esse médico? Forçar o preso a comer. Condenado a uma pena pesada, em um longo processo construído nos mínimos detalhes, o poeta estava preso em Bursa, há doze anos, quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. E ainda teve forças suficientes para escrever o poema "O quinto dia de uma greve de fome", dedicado a seus amigos franceses, entre eles os poetas Tristan Tzara e Aragon, que lutavam por sua libertação: "Meus irmãos / Se não conseguir dizer da melhor forma / O que tenho para lhes dizer / Queiram me perdoar / Estou tonto, uma ligeira tontura / Não de raki2 / De fome, um pouquinho.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Josemara Souza da Silva picture
    Josemara Souza da Silva11/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um tesouro desconhecido

    Quando se fala em em poesia épica, a gente costuma pensar e lembrar dos grandes autores da antiguidade clássica como Homero, Virgílio, Dante. Mas aqui está um épico moderno gigante, desconhecido e injustiçado. Nessas quase 600 páginas o autor não vai nos apresentar grandes heróis e nem contar grandes feitos, ele vai contar a vida de pessoas comuns, vivendo vidas comuns, fazendo coisas comuns e até banais. A história começa numa escadaria de uma estação de trem, onde são apresentados vários personagens. Ao longo da história esse trem atravessa o país levando seus personagens e contando o destino de cada um e o porquê desse destino. O período histórico da narrativa são os anos 1940, a grande guerra está rolando mas não afeta os personagens. Eu gosto de livros que me mostrem culturas diferentes, que saiam do eixo EUA-Europa, é esse é um deles. Sempre pensei na Turquia como uma encruzilhada e um encontro das culturas ocidentais e orientais. O país tá ali, metade na Europa metade na Ásia, cristãos, islâmicos e outras minorias vivendo no mesmo lugar, isso deve render histórias interessantíssimas, como esse livro. Desejo que num futuro próximo ele seja mais conhecido.

    1 curtida

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    4.7 / 6
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Nâzım Hikmet

    Nascido em Salônica, em 1902, no seio de uma família culta e influente, o escritor Nâzım Hikmet teve uma vida marcada por fugas, exílios, prisões e intensa participação política. Entre 1928 e 1938, publicou nove livros de poemas que revolucionaram a poesia turca. Em 1939 foi encarcerado na prisão de Bursa e começou a redigir Paisagens humanas do meu país. Foi solto em 1950, mesmo ano em que recebeu o Prêmio Internacional da Paz, ao lado de Pablo Neruda e Pablo Picasso. Reconhecido como um dos maiores nomes da literatura mundial do século XX, faleceu em Moscou em 1963. Hoje sua obra está publicada em mais de 50 idiomas.

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    Nâzım Hikmet