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    Não sou eu uma mulher? - Mulher negra e o feminismo

    bell hooks

    Plataforma do Gueto
    2014
    139 páginas
    4h 38m
    ISBN-13: 9781138821514
    Português Brasileiro
    4.6
    65 avaliações
    Leram107Lendo33Querem530Relendo0Abandonos2Resenhas12
    Favoritos11Desejados530Avaliaram65

    Analisa o impacto do sexismo em mulheres negras durante a escravidão, a desvalorização da feminilidade negra, o sexismo do homem negro, racismo entre as feministas, e envolvimento da mulher negra com o feminismo. Hooks tenta nos mover além pressupostos racistas e sexistas. O resultado é nada menos que revolucionário, dando a este livro um lugar crítico na estante de cada estudiosa feminista.

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    Ana Carolina Correia picture
    Ana Carolina Correia08/03/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Não sou eu uma mulher”: mulheres negras na discussão

    Informações Escrito em 1981 por bell hooks, com o nome inspirado no discurso de Sojourner Truth, traduzido em 2019 para o português por Bhuvi Libanio. Contém 320 páginas, divididas em uma introdução e cinco capítulos. O livro, portanto, possui quase 30 anos e mesmo assim ainda encontra relevância. É tido como um clássico da teoria feminista, especialmente para a discussão sobre a mulher negra nos Estados Unidos. Temas abordados hooks inicia o livro falando sobre a invisibilidade das mulheres negras na discussão. Afinal, quando se falava da experiência da mulher, discutia-se a mulher branca, e quando se falava da experiência do negro, discutia-se o homem negro. Logo, a mulher negra se encontrava [e em muitas discussões que faltam a mínima racialização da análise ainda se encontra] ignorada nos movimentos feministas e movimentos negros. No capítulo 1, hooks descreve a experiência das mulheres negras escravizadas e quanto o machismo foi fator para definir a experiência da mulher negra escravizada — a exploração sexual, a desumanização, a demonização, etc. O período da escravidão que perdurou por anos estabeleceu uma relação de dominação racial nos Estados Unidos que têm frutos até os dias de hoje. Depois, hooks fala sobre a desvalorização da mulher negra nos Estados Unidos, o perigo que a miscigenação representava a supremacia branca, os estereótipos construídos em cima do homem negro de homem bestializado e violador e em cima da mulher negra de “matriarca”, castradora e inerentemente má e como isso afetou também as relações entre pessoas negras. Em seguida, é discutido o imperialismo do patriarcado e a recorrente defesa e promoção do machismo na sociedade. Não obstante a promoção do patriarcado, hooks estabelece: “Não poderá haver liberdade dos homens negros enquanto eles defenderem a subjugação das mulheres negras. Não pode haver liberdade para os homens patriarcas de todas as raças enquanto eles defenderem a subjugação das mulheres. O poder absoluto dos patriarcas não é libertador. A natureza do fascismo é tal que ele controla, limita e restringe líderes bem como as pessoas que os fascistas oprimem. A liberdade como igualdade social positiva que garante a todos os humanos a oportunidade de modelar o seu destino na riqueza e produtividade comum, só pode ser uma realidade completa quando o nosso mundo não for mais racista e machista.” No capítulo 4, é discutido a relação, muitas vezes, tortuosa entre mulheres negras e o movimento feminista. hooks analisa como o movimenta feminista foi um espaço em qual mulheres brancas endinheiradas proclamaram o movimento enquanto “seu” e viam a presença de mulheres negras como uma invasão. Ela observa o comportamento racista ao perceber a tentativa de aliança aos homens brancos ao reclamarem votos para mulheres em detrimento do voto para negros. Assim como a falta de importância dada a questões trazidas por mulheres negras no movimento feminista, visto muitas vezes como questões secundárias. Ademais, enquanto ocorre racismo no movimento feminista e o mesmo é tido como “algo de branca”. hooks comenta sobre a mudança de pensamento e comportamento entre as mulheres negras, em que as líderes negras pararam de defender direitos das mulheres e passaram a defender a libertação dos negros, eliminando o racismo, não o capitalismo nem o patriarcado. Considerações finais Ao contrário das demais obras de bell hooks, Não sou eu uma mulher é mais analítica e menos esperançosa. É um grande livro a fim de discutir a mulher negra americana, algo que até nos dias de hoje não é muito feito.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 65
    • 5 estrelas62%
    • 4 estrelas28%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Gloria Jean Watkins  profile picture

    Gloria Jean Watkins

    bell hooks é o pseudônimo de Gloria Jean Watkins, escritora norte-americana nascida em 25 de setembro de 1952, no Kentucky – EUA. O apelido que escolheu para assinar suas obras é uma homenagem a tataravó Bell Blair Hooks. A justificativa do nome ser escrito todo em letra minúsculas, é servir a duas funções: distinguir-se de sua parente homenageada, e estabelecer a importância do conteúdo de seus textos em comparação com a sua biografia. bell hooks usou a própria vida como fonte dos seus primeiros estudos sobre raça, classe e gênero, sempre buscando nesses três elementos, os fatores da perpetuação dos sistemas de opressão e dominação. A autora, feminista e ativista social assumida, foi premiada com um 'The American Book Award', um dos prêmios literários de maior prestígio em seu país. Entre as influências de hooks, além de Martin Luther King, Malcom X e Eric Fromm, figuram a feminista Sojourner Truth (cujo discurso 'Ain't I a Woman?' inspirou uma das obras de hooks), o educador Paulo Freire, o teologista e padre dominicano Gustavo Gutierrez, Lorraine Hansberry, o monge Budista Thich Nhat Hanh, o escritor James Baldwin, e o historiador guianense Walter Rodney.

    61 Livros
    576 Seguidores
    Kentucky, Estados Unidos

    Gloria Jean Watkins