”Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma a sua maneira”. É o início de “Ana Karênina”, obra de Tolstói, publicada entre 1873 e 1877. O romance gira em torno do caso extra-conjugal da personagem que dá título a obra, uma aristocrata da Rússia, que aparentemente tem tudo, riqueza, beleza, popularidade e um filho amado, mas sente-se vazia até encontrar Vronski. A sociedade russa do século XIX e a estrutura de relações que existiam entre as várias classes sociais, são caracterizadas pelas personagens da trama. Para fazer a análise social, Tolstói usa de dois eixos principais: o primeiro é o drama de Anna e o segundo a busca existencial de Levine. O humanismo dos personagens, o que possuem de bom e mau, como seres insondáveis, leva à ações comportamentais imprevisíveis, trazendo uma maior maturidade através de uma abertura dentro dos dogmas que já tinham adotado. No final, o autor analisa em conjunto todas as perspectivas sobre as quais se pode debruçar a existência, como religião, a filosofia e a ciência.
Ana Karenina (Obra Completa #2) -
Leão Tolstoi
Milan Kundera escreveu em A insustentável leveza do ser: "Para Tereza, o livro era o sinal de reconhecimento de uma fraternidade secreta. Contra o mundo de grosseria que a cercava, não tinha efetivamente senão uma arma: os livros que pedia emprestados na biblioteca municipal".... Tereza andava por Praga com um volume de Anna Karenina embaixo do braço. Eu fiquei tão encantada com isso que decidi que ia ler assim que possível. Por meses namorei o volume da livraria, ali com o nome de Anna Karierina e uma capa dura e esverdeada. Mas estava tão caro... então assim que me associei na biblioteca, a primeira coisa que fiz foi trazer Ana Karênina para casa. Pra ser sincera não sabia do que tratava a história e foi uma surpresa descobrir. Jamais imaginei que ela poderia passar pelo que passou, tendo surgido tão brilhante no início do livro. É incrivel o que o livro faz com as duas personagens femininas principais... uma surge intensa e com uma imagem impecável, e vai se despedaçando lentamente ao longo das páginas... e a outra surge tão infantil e ingênua, e vai se enchendo e crescendo e se torna maravilhosa. A transformação é incrivel. A maneira de escrever dos russos, seus nomes e detalhes de tratamento, eu adoro! Apesar de ser confuso para alguns cada personagem ter vários nomes, pra mim traz uma intimidade incrível. Toda a maneira de descrever, tão detalhada e ao mesmo tempo leve, me fez ter uma imagem bem nítida de cada um dos personagens principais. Vejo todos perfeitamente, e andei pelos salões e pelas casas deles, escondida atrás de umas cadeiras, observando cada diálogo. É como se a gente pudesse entrar dentro daquele ambiente, e ir ouvindo as conversas e pensamentos de cada um... e o Tolstói ali do nosso lado, apontando discretamente - olha o detalhe da roupa daquela senhora... olha como brilham os olhos daquele rapaz... Gostei muito de Stepan Arcadievich, sempre sorridente e cordial, tive muita raiva de Vronski, mesmo quando já não deveria mais ter, me surpreendi com Kitty. Tive admiração e ódio por Ana, queria sacudir Alexei Alexandrovich... sofri com Dolly. Mas de todos, Liêvin me conquistou para sempre. É sem duvida o personagem mais lindo, mais interessante e especial que vi até hoje. Ele é um fofo, com aquele jeito russo dele, o físico e a timidez, suas idéias e questionamentos. E sempre se envergonhando e ficando vermelho... Me identifiquei muito com ele, ele é incrivel! É realmente um livro muito bom, e acho que com ele entrei num novo patamar de leitura. Agora finalmente me sinto parte do clube.
Estatísticas
Avaliações
4.4 / 2680- 5 estrelas52%
- 4 estrelas32%
- 3 estrelas13%
- 2 estrelas3%
- 1 estrelas1%









