Manu, A MENINA QUE SABIA OUVIR, tem seu lugar assegurado junto ao PEQUENO PRÍNCIPE, de Saint-Exupéry, e O MENINO DO DEDO VERDE, de Maurice Druon. São personagens - ou melhor, são personalidades - que se tornaram amigas íntimas daqueles leitores, de aguda sensibilidade, que conservam o senso do maravilhosos transformando o convencional. Vinda não se sabe de onde, morando nas ruínas de mármore de um anfiteatro antigo, Manu sabe ouvri e irradia uma influência que desperta em cada um sua fonte própria de criatividade; A essa qualidade - tão rara no mundo em que cada qual quer falar por si e falar mais alto - Manu junta sua integridade simples mais inabalável, seu conhecimento intuitivo do verdadeiro e do falso. Assim, decide lutar contra os homens cinzentos que, pouco a pouco, envenenam a vida da cidade, persuadindo cada um a poupar Tempo e tornar-se milionário de um Banco singular. Reduzidas as criaturas a máquinas de atividades estritamente condicionada, a decisão heroica de Manu não seria suficiente para salvá-las da asfixia total, não fosse a intervenção do poder sobrenatural que surge em seu auxílio, levando-a às fontes do Tempo. Nesta estória à qual não faltam humor e suspense, entra a crítica da nossa época, a análise psicológica feita por entre as linhas, e, sobretudo, o lirismo da concepção poética que ilumina todo o relato.
Manu, a menina que sabia ouvir -
Michael Ende
Sempre me interesso por títulos como esse: A menina que sabia ouvir, A menina que isso ou aquilo... E com esse pequeno livro não foi diferente. É um livro fino, porém complexo. O que eu quero dizer com complexo, é que como já era de se esperar de Michael Ende, é uma história com muito conteúdo. Um daqueles livros que faz você pensar, e sentir curiosidade acerca do assunto, e de tudo que vai acontecer. Eu sou uma grande fã de Michael Ende e esse livro só me fez amá-lo mais ainda. Conta a história de uma menina de rua, a Manu, que faz muitos amigos nas ruínas de um antigo teatro. Tem um senhor que pensa muito e fala pouco, e um garoto que ganha a vida contando várias histórias mirabolantes para os turistas que vão visitar as ruínas do teatro. Além de muitas outras crianças e outras pessoas, que simplesmente iam até lá todo dia para conversar com Manu. Ela os ouvia, se interessava como ninguém por tudo que diziam, sua vida, seus infortúnios... E todos eram felizes ali. Até que surgem homens estranhos na cidade. Homens cinzentos, que querem acabar com a paz e a felicidade. Eles querem roubar o tempo que resta a todos os humanos. Quando eles chegam, tudo se torna cinzento e frio em volta. E a única pessoa que consegue resistir a essa influência ruim é Manu. E eles sabem disso e a temem. E no decorrer da história, Manu fica sem ninguém, porque todos os seus amigos foram "levados" pelo homem cinzento, e então ela vive aventuras ao lado de Cassiopéia e o Senhor Hora Minuto (O Senhor tempo, acho que é esse o nome, desculpem se errei), e ela ultrapassa as barreiras do tempo para salvar o mundo do poder dos homens cinzentos. Esse livro é muito mais que uma aventura infanto-juvenil. Ele foi escrito para nós refletirmos sobre a vida. Eu percebi que todos sofrem a influência dos homens cinzentos, e que para fugir deles seria preciso que todos nos uníssemos, ou que conseguíssemos parar de pensar que temos pouco tempo, e usar o tempo que temos para viver. Porque a vida passa rapidinho e enquanto isso estamos distraídos brigando e chorando, limpando a casa, trabalhando como condenados como se esse fosse o único modo de vida possível. O que Michael Ende quis dizer, é que nós temos tempo para olhar as cores do céu e sermos bons uns para os outros, temos tempo para sorrirmos e fazermos algo que nos leve pra longe dos Homens Cinzentos que só querem sugar nosso tempo. Enfim, eu recomendo demais esse livro. Uma leitura rápida e inteligente. Michael Ende é um gênio!
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