Antônia Fraser é uma historiadora britânica com pendor pela História dos monarcas do Reino Unido. Já li dela As Seis Esposas de Henrique VIII e Maria Anotonieta.
Há muitaa informação, tudo referenciado em notas fartas. Antônia mata a cobra e mostra o pau.
Seus relatos copiosos se debruçam sobre o objeto de seu estudo, bem como o contexto histórico e os pontos de vista de contemporâneos.
Dito isso, adoro este livro sobre Carlos II Stuart, meu rei inglês favorito. Filho dileto de pais amorosos cuja infância é adolescência foram atropeladas pela Guerra Civil (ao cabo da qual o pai, Carlos I, foi executado) e pela breve experiência republicana. Ascendendo ao trono, Carlos liderou um período chamado Restauração. E foi realmente uma restauração: da estabilidade política, de alguma pacificação religiosa, renascimento econômico, expansão do imperio ultramarino (às custas do império ultramarino português, aliás, cuja infanta Catarina ele havia desposado), das artes e das ciências. Depois dos anos trevosos sob o jugo puritano, qualquer respiro seria bem-vindo.
Carlos não era um bobo alegre - os apertos da guerra civil e as agruras e humilhações do exílio o fizeram uma pessoa bem realista, pé-no-chão, como nunca um monarca foi antes ou depois. E como poucos monarcas, Carlos tomava para si a responsabilidade de assegurar paz e prosperidade para seu país porque, como Pai de seu povo, deveria lhes prover pão e segurança.
Tudo isso, Fraser discorre com graça e fluidez, nunca entediando o leitor.
Fica a lição aí para o Carlinhos III e seus pitis de garoto mimado.