Há cinqüenta anos, na páscoa de 1955, morria no exílio, em Nova York, o jesuíta, pe. Pierre Teilhard de Chardin, com 74 anos. Incompreendido na esfera eclesiástica, tratado como sonhador e místico pelos meios científicos, é hoje reconhecido não só como um profeta da evolução pela qual está lentamente passando a comunidade cristã mundial, depois do Vaticano II, mas também como um dos pensadores mais avançados, que hoje se dão conta de que os grandes problemas da humanidade só se podem colocar corretamente e, por conseguinte, ter uma possibilidade de solução, na perspectiva evolucionista, que inspira o fundo do pensamento teilhardiano. A obra tem o duplo mérito de seguir ao mesmo tempo a cronologia da vida do biografado e a seqüência de suas obras, com as características próprias de cada uma, desde as Cartas do Egito, do tempo em que cumpria seus anos de magistério no Cairo, Egito, até a profissão de fé católica contida na carta ao pe. Ravier, seu provincial, dois dias antes de sua morte, na sexta-feira santa de 1955. Mas, sobretudo, esses onze capítulos de aparência cronológica e bibliográfica, mostram a evolução do pensamento vinculada às circunstâncias da vida e à constante busca manifestada em seus escritos. Cinqüenta anos passados Teilhard nos proporciona hoje uma perspectiva de solução para os grandes problemas que enfrentamos: a descoberta da complexidade como fator chave condicionador da ação nos mais variados campos; a globalização, enquanto modifica as formas de comportamento nos setores da economia e da política, dando origem, ao mesmo tempo, a novas inquietações; a emergência de uma nova consciência planetária, que se manifesta em terrenos específicos (meio ambiente, movimentos de solidariedade, ações em favor da paz etc.); a afirmação cada vez mais forte de o primado da pessoa humana (bioética, direitos humanos); a renovação de as expectativas espirituais e o desenvolvimento de novas formas de religiosidade, à margem das Igrejas estruturadas; o crescimento do desemprego e o sentimento ainda difuso de que se trata não de uma "crise" clássica, e sim de o início de uma mutação profunda na orientação da energia humana; a exploração das técnicas de comunicação; a aspiração à unidade, que conduz a que as filosofias e as religiões se encontrem em um novo ecumenismo de base. Não é por acaso que se volta a falar, com ou sem conhecimento de causa, em "Nova Era" ou em fenômeno Internet. Mas talvez o que há de mais precioso nesta obra é o texto integral da última profissão de fé de Teilhard às vésperas de sua morte, no Anexo, em que ele mesmo teve a oportunidade de resumir em algumas linhas o cerne de seu pensamento.

