Incêndios em túneis são raros no Brasil. Porém, quando acontecem, têm consequências trágicas, dada a vulnerabilidade do concreto pelo efeito spalling (expansão da água até explosão do revestimento) e a impossibilidade de dissipação rápida do calor e da fumaça. A literatura técnica mundial é farta sobre o assunto, e países da Europa, sobretudo, investem alto na segurança, baseados em normas rigorosas nesse quesito. Bem diferente do Brasil, onde as medidas preventivas limitavam-se a rotas de fuga, extintores portáteis e sistemas de hidrantes. Somente em 2009, enfim, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou a NBR 15661 (Proteção Contra Incêndio em Túneis). A boa notícia é que, embora tardia, a normativa está sendo posta em prática. O túnel da Grota Funda, em construção na zona Oeste do Rio de Janeiro, é o primeiro da cidade a atender aos requisitos do documento, que estabelece a instalação de redes de comunicação (voz e vídeo), centros de controle, sistemas de detecção de fogo e gases, controle de acesso e outras medidas. Embora atendam exclusivamente aos requisitos mínimos de segurança, as soluções tornam esta obra precursora na engenharia de segurança de túneis no Brasil. A norma impõe aos Estados e Municípios uma nova responsabilidade na contratação dos projetos, a partir de modelos testados e comprovadamente eficazes de funcionamento. Ainda assim, o uso de tecnologias como as fibras sintéticas (que impedem o efeito spalling), revestimentos antichamas, materiais autoextinguíveis e outros recursos deveriam ser considerados em futuros projetos de construção de túneis.
