Os dois primeiros meses do ano repetem o período de calamidades naturais decorrentes de inundações e movimentos de terra em áreas de risco. No calor do momento, o enfrentamento é emergencial e vem de cima para baixo, com repasses da União para ações de socorro, assistência e reconstrução. Mas é na prevenção local que os esforços de minimização dos danos de tragédias naturais mostram os resultados mais efetivos. E, nesse sentido, a declaração do diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden), Agostinho Ogura, em entrevista nesta edição, é desoladora. Segundo ele, boa parte dos administradores municipais brasileiros não sabe o que fazer quando recebe alertas de potenciais tragédias naturais em sua cidade. Raros são os municípios que planejaram um conjunto de ações de resposta a situações adversas. São ainda mais escassos aqueles que, ao longo do ano, realizaram obras estruturais para controle de cheias. Para além dos inputs centralizados na instância federal, é urgente o fomento à implementação de uma cultura de prevenção que torne obrigatória a elaboração de planos municipais e estaduais de gestão de risco de enchentes, inundações e deslizamentos. Com eles, espera-se que seja viabilizada a capacitação de técnicos para atividades relacionadas ao diagnóstico, ao mapeamento e ao planejamento de intervenções. E, ainda, ampliado o número de vagas para profissionais concursados em órgãos de defesa, não submetendo cargos tão estratégicos às flutuações das mudanças de gestão. Quem sabe, para o verão de 2014, vejamos planos de contingência elaborados à luz da interação entre as três instâncias governamentais e com participação comunitária. Mirian Blanco editora
