Elton Luiz Leite de Souza investiga e examina a obra de Manoel de Barros sob um ângulo novo, buscando as implicações filosóficas que seus poemas e entrevistas suscitam. Em suas construções inventivas, inaugurais, por vezes desconcertantes, o poeta retrata a “verdez das coisas” em palavras que nos deixam ver o deslimite como matéria de sua arte – tornando o fazer poético um laboratório privilegiado que permite vislumbrar a gênese da própria linguagem. Partindo de uma perspectiva deleuziana, o autor gera o conceito de deslimite à luz da ideia do devir – que se apresenta, na obra do poeta, como o elemento genético que confere à matéria de sua poesia um caráter de processo: processo de perda dos limites do humano, de perda dos limites da linguagem representativa, de perda dos limites utilitaristas que as ações interessadas sobre as coisas transformam em hábito. Nesse território onde se embaralham as fronteiras do poético e do filosófico, onde o Pensar e o Sentir perdem seus respectivos limites, o deslimite é o processo que faz do inacabamento o estado sempre renovado que não deixa com que as coisas acabem, sendo então reinventadas pelo processo criativo – tanto na poesia como na vida.