"Não compreendo o cosmos porém canto todos os escaninhos do universo" Em mim se ajuntam restos, seres não sabidos que vivem minha vida. Mas que vida é a minha? Ou existem por mim outros poetas na mão que escreve. Sou ínfimo e desmedido, figura sem contornos definidos a se esbaterem na poeira de gases, na luz mortiça da escuridão transiente que tudo abarca. E pré-sinto uma voz ancestral, um silêncio dirigido ao pensamento, desvelando-me secretas arquições. Percebo abrir-me ao que desconheço e compreendo mal a máquina do Cosmo que transcende o engenho humano e a humana compreensão. ... Inaugura-se a manhã primordial, a sempre-manhã da vida, do universo, da mulher que se inaugura em todo ato de amar, desta mulher presente sempre junto e dentro de mim, desta mulher que humilha as flores com sua graça interior, desta mulher que me conquista a cada gesto, a cada noite, desta mulher que as outras vence na amizade e convivência e abre, de amor, um céu azul, este caminho auroreal de um novo universo por onde o vago pensamento vai viajando.
Antiuniverso
Fernando Py
7 Letras
1994
75 páginas
2h 30m
ISBN-13: 9788585625085
Português Brasileiro
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