Que HQ divertida! 'Bitch Planet' foi criada e roteirizada pela @kellysued, com desenhos de Valentine de Landro, e surgiu como uma resposta a críticas que a autora recebeu quando deu um tom mais feminista para a série da Capitã Marvel. Ela resolveu então escrever uma HQ realmente feminista.
A HQ se passa no futuro, quando a Terra está completamente dominada por um patriarcado paternalista (os líderes, por exemplo, são chamados de Fathers) e as mulheres devem ser dóceis e obedientes. Aquelas consideradas problemáticas e indesejáveis (ou non-compliants) são enviadas para o Bitch Planet, um planeta à parte que funciona como uma grande prisão, onde as mulheres são vigiadas 24h e onde devem aprender a se comportar de acordo com o que a sociedade espera delas. Não à toa, as mulheres que estão fora do Bitch Planet são todas brancas, loiras, magras, simpáticas e dentro do padrão de beleza, enquanto as protagonistas do planeta-prisão são as mulheres negras, as obesas, as que não se enquadram, em uma clara crítica social a respeito do maior número de mulheres encarceradas. Bitch Planet é uma HQ cujo feminismo é interseccional.
Esse primeiro volume, Extraordinary Machine, traz os números de 1 ao 5, e o arco trata sobre uma época em que o interesse pelo Feed (transmissões televisisvas) vem diminuindo na Terra e eles resolvem buscar no Bitch Planet a solução para reverter isso. Minhas referências me remeteram a uma mistura de Orange Is The New Black com Black Mirror, Tarantino e uma pitadinha de Jogos Vorazes. A quarta capa de cada número traz uma paródia das folhas de propagandas de HQs, com produtos inusitados como o desodorante vaginal ("porque você fede"), a pílula de lubrificação vaginal, as dietas que vão acabar com sua alegria de viver e etc - além de informações sobre estatísticas de violência doméstica e afins. Já vou correr atrás de acompanhar os números seguintes.
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