A Teoria Política do Individualismo Possessivo

    Crawford Brough Macpherson

    Paz e Terra
    1979
    318 páginas
    10h 36m
    ISBN-10: 8521904118
    Português Brasileiro

    A obra analisa as dificuldades do pensamento liberal democrático, desde Stuart Mill até o presente. De acordo com o autor, o pensamento político inglês apresenta uma unidade básica expressa na noção de 'individualismo possessivo'. Baseando-se nessa noção, procura desenvolver uma nova compreensão das principais teorias de Hobbes, Locke e Harrington.

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    Thales Santos da Cruz14/04/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A vida do jovem pesquisador em formação é uma desgraça. Muitas vezes você acha que está ali inventando a roda, mas quando faz um pequeno levantamento bibliográfico, acaba encontrando alguém que fez o que você achava que era novo. Inclusive, de uma forma muito mais sofisticada e complexa do que você sonhara em fazer hahahahaha Esse foi o meu caso. Estou para escrever um artigo e em um dos capítulos exploro algumas ideias dos levellers. Acontece que não conhecia absolutamente nada sobre eles e segundo teria que encontrar pontos em comum entre a teoria deles e um outro autor. Foi bem difícil encontrar material sobre esse grupo em português, seja de comentadores ou seja de suas manifestações. Então foi um grande alívio encontrar essa obra, tão redondinha assim. Mas há algumas questões a serem analisadas. A primeira é de ordem de edição, deu para perceber que o trabalho de revisão do texto (aí eu não sei se no inglês já estava assim ou se foi algo exclusivo da edição em português) que em diversos momento você percebe alguns erros ortográficos ou mesmo de formatação, que acaba prejudicando um tanto quanto a leitura. A segunda é na própria escrita do autor. Eu não consegui compreender muito bem se esse livro é uma compilação de ensaio e artigos escritos pelo autor ou se ele foi escrito de uma vez só. Mas é visível que o autor se torna um tanto quanto repetitivo às vezes. Tem momentos que ele fala algo e repete a mesma coisa no parágrafo seguinte, outros momentos repete em outros sub-capítulos. Ora isso é bom, porque ele acaba sintetizando seu pensamento e a gente acaba assimilando melho, ora isso torna um tanto quanto massante. A terceira questão é mais na ordem conceitual. É visível como o autor trata os levellers como sendo um grupo homogêneo, um fato que é apontado por alguns críticos da obra. Mas, apesar de eu não ser nem de longe um grande entendedor do tema, não acredito que represente grandes prejuízos, principalmente se fizermos uma dobradinha com Christopher Hill, que em seu livro "O Mundo de Ponta Cabeça" nos mostra como havia uma disputa no interior do grupo, sendo recorrentemente pontos de conflitos entre uma ala mais moderada (como é o caso do John Lilburne) e a ala mais radical (como é o caso de Rainborough ou mesmo do Overton). Mas, em geral, o autor esmiúça muito bem as ideias dos autores e do grupo que se propõe a debater, trazendo uma importante contribuição a teoria do indivíduo.

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