<i>These vicious masks </i> traz uma premissa parecida com <i> X-Men</i>.
Não acredito que levei tanto tempo para associar essa conversa de pessoas com poderes especiais da sinopse com as histórias em quadrinhos já que é umas das poucas que curto e li.
Não é à toa que o livro foi panfletado como uma mistura de Jane Austen e X-Men, mas eu não sabia que a editora tinha feito o marketing em cima disso.
Provavelmente quando a editora usou o nome Jane Austen queria indicar que o gênero do livro - romance histórico vitoriano -, mas a personalidade de Evelyn Wyndham casa muito bem com as das protagonistas da clássica romancista inglesa; inclusive da sua mais famosa personagem: Elizabeth Bennet.
Eu amo romances históricos - ainda mais vitorianos - ao mesmo tempo que os leio com cautela. Raramente os autores acertam o tom de suas protagonistas.
Embora Evelyn seja agradável e eu tenha simpatizado com ela, ela é figurinha repetida desse tipo de gênero: a personagem à frente do tempo, praticamente uma feminista, que menospreza os hábitos femininos padrão casar vem em último lugar na sua lista de prioridades e preocupações e rompe com as regras da sociedade para desespero de seus pais.
Aqui Evelyn não tem muito tempo para pensar sobre o que a sociedade espera dela já que sua irmã está desaparecida, mas gostaria que ela - assim como todas as personagens como ela cansadas dos bailes e tardes de chá falando sobre casamento, cavalheiros elegíveis, filhos, tecidos e fitas - percebesse o problema não são as moças atrás de casamento e animadas com bailes. E sim a sociedade patriarcal impor regras tão machistas e limitadoras às mulheres. Que algumas só sigam o bonde não é as diminui em nada.
Enfim...
Acho que as autoras entregaram um ótimo trabalho do ponto de vista histórico (isso vindo de uma amadora). As etiquetas de comportamento prevaleceram do início ao fim para Evelyn ao invés de serem usadas apenas quando fosse conveniente para a história. Isso significa que as autoras tiveram que pensar um pouquinho mais para contornar o fato de que Evelyn não podia sair sozinha ou frequentar certos lugares, mas deu certo.
Eu esperava que o livro fosse se perder pro romance, mas nem acho que teve isso aqui. O que é bom. Sequestro e lunáticos fazendo experimentos em pessoas com poderes não cria clima para romance algum. Ainda bem que as autoras tiveram o discernimento de ver isso.
Além de Evelyn e Rose, há uma penca de outros personagens no livro e eu gostei de todos que deveria gostar e desprezei os que foram escrito com essa finalidade mesmo.
Não acho que a história demore a engrenar, mas houve um momento em que me perguntei se as autoras tinham mudado de ideia quanto ao fator fantástico, já que mal era mencionado. Mas acontece que a história tem um ritmo suave, quase lento. E haviam elementos a serem apresentados.
Bom que as autoras não colocaram a carroça antes dos bois. Talvez por isso esteja animada para ler a sequência.
O que este livro mostrou a mim é o quanto fui tola de não tê-lo lido antes.