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    Duzentos Poemas -

    Emily Dickinson

    Relógio D'Água
    2014
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9789896414122
    Português
    5
    4 avaliações
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    Em vida, Emily Dickinson publicou menos de dez poemas. Após a sua morte, a 15 de maio de 1886, Lavinia, a irmã, encontrou fechados numa caixa quase mil poemas.

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    A. Brito15/10/2021Resenhou um livro
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    Duzentos Poemas - Emily Dickinson

    Logo a um primeiro olhar causa estranheza a poesia de Emily, por causa, claro, dos famosos travessões, das maiúsculas que dependem do valor da palavra e não da gramática, do uso do plural quando se esperava singular, do uso do artigo indefinido quando se esperava definido. Mas este assombro não vem só em termos visuais; em termos de conteúdo há, para mim, mais assombros ainda, os temas - Imortalidade, Fama, Vida, Eternidade, Amor, Deus Estrelas, Morte, Estrelas, Vazio, Nada, Claridade, Molde, Poesia, etc, são o mundo ao contrário, o essencial torna-se diário, quotidiano, tema à flor do papel, à flor da palavra, penetra a palavra, transforma-se num quase-conceito (metonímia?), mundo em carne viva, rochas em carne viva, rios em carne viva, mundo interior em carne viva, céu em carne viva, Deus em carne viva. Só essências e as ligações entre tudo, ditas com uma singularidade de elipse, em que se diz só com o mínimo, o essencial tornou-se quotidiano e o quotidiano desapareceu para lá dos céus. Emily mostra-nos um mundo, faz-nos entrar no seu quarto, na sua cabeça, no seu espírito, na sua casa. A fonte é uma enorme energia interior que se diz arrastando consigo, como uma maremoto, formas ditas elegantes do escrever e regras gramaticais para assim melhor expor coração, alma, corpo, pensar, cérebro, e a forma que encontrou de o fazer - sublime, quanto mais não seja por originalidade e beleza-. Isto é o que me surge em termos gerais; após uma leitura destes 200 poemas, mas muito mais se pode esmiuçar, desde logo, a sensação de que os seus quase-conceitos – Afeição, Silêncio, Leilão, Mente Humana, Erva, etc…- são lava que lhe vem das entranhas que petrifica ao contactar o ar cá fora. Publicar- é o Leilão Da Mente Humana - Justificada – a Pobreza Para coisa tão vil Emily esgrime com os seus quase-conceitos como quem atira, ou empurra pedregulhos para o sítio certo, é com pedregulhos – quase conceitos- que faz a sua poesia e, através de elipses, estas rochas tomam o espaço, são fortes, enigmáticas, magnéticas, estão ali porque era ali que tinham que estar, mas claro só o sabemos depois de Emily as fazer estar. Antes não diríamos semelhante coisa, nem os seus contemporâneos disseram, pelo contrário, tentaram inclusivamente, corrigir-lhe a gramática. Emily joga com os seus quase-conceitos, daí a sua poesia pareça escrita sem esforço, como se jogasse um jogo de pedras em que fizesse cair certeira no sítio certo cada palavra, escrita orgulhosa e humilde ao mesmo tempo, há orgulho em ser-se assim tão diferente, mas só sendo muito humilde se o pode ser. Isto é, tem que se estar atento a si e obedecer-se onde tudo diz não se deve obedecer, e é preciso orgulho e força para manter o que para si não pode escrever-se de outro modo, mesmo que ao mundo inteiro pareça impossível, pobre, errado e até imbecil. Emily é como aqueles guerreiros que fazem explodir as pontes atrás de si, cada travessão tem muitas vezes essa explicação, ela passou a ponte e conscientemente fê-la explodir atrás de si, salta concisa, compacta, sólida para a ponte seguinte e faz explodir a ponte seguinte também, faz cair o fio condutor que nos permitiria reconhecer os seus passos, não nos deixa migalhinha nenhuma a que nos agarrarmos, nada que permita perceber por onde andou o seu pensamento, impiedosamente, obriga-nos a lê-la e a relê-la se a quisermos conhecer, e muitas vezes obriga-nos a ficar à porta a roer os dedos e a bater em vão, não deixa fase visível, poesia de rochas escarpadas viradas ao céu, como todos os grandes poetas não faz cedências, a sua poesia simplesmente é. E por isso até é estranha a ideia de cedência, se apenas diz à sua maneira, ceder seria o quê?, escrever à maneira dos outros?, isso não é ceder, é não ser. Assim, escreve uma poesia que não explica, nem se explica, poesia por clarões, casa, universo.

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    Emily Elizabeth Dickinson profile picture

    Emily Elizabeth Dickinson

    De raiz puramente romântica, o conceito de gênio equacionou o individualismo burguês ao ideal de herói, processando um ser cujas capacidades da imaginação, ilimitada e imprevisível, estão claramente acima de qualquer racionalidade. Nesse sentido, surge um dos grandes gênios do poesia romântica (e por que não da poesia mundial?): Emily Dickinson. A poetisa nasceu em 10 de dezembro de 1830, na pequena cidade de Amherst, uma das regiões de raízes mais puritanas e conservadoras dos Estados Unidos, e morreu no mesmo local em 15 de maio de 1886,solteira por convicção e auto-exilada por mais de vinte anos. Em 1955, o crítico e biógrafo Thomas H. Johnson reuniu numa edição definitiva todos os seus 1.775 poemas. Daí em diante a obra de Emily Dickinson passou a ser reverenciada por uma crescente legião de críticos e leitores exigentes. "A word is dead / When it is said,/ Some say. / I say it just / Begins to live / That day."

    51 Livros
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    Massachusetts, EUA

    Emily Elizabeth Dickinson