A histórica aceitação cultural dos sistemas construtivos à base de cimento no Brasil favorece o amplo uso de revestimentos de argamassa, sobretudo em obras do segmento residencial. Seu custo de produção tende a ser bastante competitivo, mas o desempenho apresenta sensível variabilidade, relacionada a fatores como qualificação da mão de obra, planejamento das atividades e existência (ou não) de projeto executivo de revestimentos. Nos últimos anos, o perfil dos empreendimentos residenciais tem mudado e exigido mais dos sistemas de revestimento. Os edifícios tornaram-se mais altos, provocando maiores deformações nas estruturas. Além disso, muitas construtoras enfrentam hoje passivos técnicos originados pelo boom de empreendimentos dos últimos cinco anos, que provocou uma desorganização no processo produtivo e na verificação dos serviços. Na entrevista deste mês, a professora da Universidade Federal de Goiás, Helena Carasek, pontua algumas possíveis soluções para minimizar esses problemas. A mecanização dos canteiros, por exemplo: segundo Helena, pesquisas indicam que ações simples, como a adoção de balancins motorizados e máquinas de projeção de argamassa, implicam maior homogeneização dos revestimentos. O controle da execução em todas as suas etapas – da limpeza da base à cura úmida das argamassas – é outra preocupação importante. Tudo isso acompanhado de um projeto detalhado, elaborado a partir de uma abordagem sistêmica que considere a interação entre os diversos sistemas construtivos do edifício. São medidas simples que, se adotadas em conjunto, podem conduzir a uma importante melhoria na qualidade dos revestimentos. Renato Faria
