Os Poucos & Amaldiçoados #1 - Os Corvos de Mana'Olana

    Dinei Ribeiro

    Independente
    2015
    38 páginas
    1h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Em sua primeira mini-série, a Ruiva irá encarar a Lenda dos Corvos de Mana'olana, uma maldição que assola desde a costa oeste dos EUA até o Havaí onde surgiram os primeiros sussurros sobre eles...

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    Renan Gomes Barcellos19/01/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma Introdução Louvável

    Com a popularização das plataformas de financiamento coletivo no Brasil, o setor dos quadrinhos nacionais ganhou um novo fôlego e diversos autores e desenhistas independentes conseguiram a verba que precisavam para viabilizar os seus projetos. É inegável que houve títulos duvidosos, que prometiam qualidade, mas entregaram uma produção aquém do esperado, no entanto, Os Poucos & Amaldiçoados, quarto projeto bem sucedido de Felipe Cagno, acaba caindo em uma segunda categoria: a das obras que merecem ser elogiadas. A ideia da HQ começou em outro projeto de Cagno, a 321 Fast Comics. Nela, em apenas 3 páginas, o autor criou a personagem sem nome conhecida apenas como A Ruiva, uma pistoleira Caçadora de Maldições, habitante de um cenário western onde o sobrenatural se faz presente. Desta premissa, surgiu Os Poucos & Amaldiçoados , uma minissérie em 6 edições que narra algumas das aventuras da personagem. A primeira edição introduz de forma muito competente a Ruiva e também o mundo que é palco de suas histórias. Nada fica muito claro, mas existe exposição o suficiente para situar o que está acontecendo e deixar margem para ser explorado no futuro. Houve algo com o planeta Terra. Um deserto existe onde deveria estar o Oceano Pacífico, e é lá que a Caçadora de Maldições vaga. Chegando numa cidade, impressionando a todos com seu cavalo, talvez uma criatura já em extinção, ela logo chama atenção com suas habilidades de atiradora e se propõe a exterminar o monstro serpentino que aterroriza o lugar. Esse trabalho não tem mais importância para a história do que mostrar do que ela é capaz e também a natureza do sobrenatural do mundo, além trazer o gancho do que viria a ser a história principal da minissérie: Os Corvos de Mana’Olana. Neste ponto o roteiro falha ligeiramente. Seria possível e mais eficiente para a história colocar referências aos Corvos ao longo da edição, não apenas no final. Isso pode acabar causando a sensação de que a revista número 1 da série pareça desconexa com suas sequências. No entanto, frente às qualidades que Os Poucos & Amaldiçoados apresenta dentro de seu gênero e proposta, apontar defeitos menores soa até mesmo intransigente. Ainda assim, é de se esperar que pelo menos alguma cena de ação nas edições futuras seja mais lenta e carregada, como nos filmes de Sergio Lione, e não com a rapidez que se mostrou o combate contra a serpente. E por falar em western, Os Poucos & Amaldiçoados se joga completamente no gênero. Tanto em estética quanto em sentimento. A primeira edição tem todo o clima do estranho misterioso que chega para resolver os problemas de uma cidadezinha - por um preço, claro. E a personagem da Ruiva é perfeita para o gênero. Durona, misteriosa e competente. Não se pode negar que Cagno soube trabalhar muito bem o feeling da revista. É impossível também não encontrar paralelos com a Torre Negra, de Stephen King, tenham sido eles intencionais ou não. Além do western e do sobrenatural, assim como a saga de Roland, a Ruiva também começa vagando pelo deserto. Mas, aqui, é ela quem parece ser perseguida por um Homem de Preto, não o contrário. É preciso destacar também que não é apenas o roteiro que se sobressai. A arte de Fabiano Neves é belíssima, se destacando ainda mais do que a própria história da revista. O artista soube contribuir muito bem para o estilo faroeste da HQ, criando em conjunto com Cagno uma história que enche os olhos. Tanto os personagens quanto o cenário são cheios de detalhes, e a Ruiva exala carisma e personalidade. Contudo, é nas cenas mais paradas e com mais diálogos que Neves apresenta o seu melhor, pois nas sequências de ação entender o fluxo dos quadros não é tão simples quanto deveria. A primeira edição de Os Poucos & Amaldiçoados, chega sem dever nada para editoras como Marvel e DC e demonstra o potencial dos quadrinistas brasileiros mesmo em histórias de puro entretenimento. Como uma história completa, o volume funciona muito bem. No entanto, também traz um pouco de preocupação em relação ao que virá a seguir. Sendo tão boa promessa, o resto da história pode correr o risco de decepcionar, principalmente se os autores não conseguirem organizar direito a estrutura e o ritmo da obra completa. Dado o tamanho da minissérie – apenas 6 edições – e a velocidade com que a número 1 avançou, isso pode acabar sendo um problema.

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