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    Adeus, minha querida -

    Raymond Chandler

    Alfaguara
    2015
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-13: 9788556520029
    Português Brasileiro
    3.8
    278 avaliações
    Leram474Lendo23Querem327Relendo0Abandonos13Resenhas20
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    Durante um caso de rotina, o detetive Philip Marlowe conhece “Moose” Malloy, o Alce, um brutamontes cruel recém-saído da prisão. Malloy está disposto a tudo para encontrar Velma, uma cantora de cabaré com quem mantivera uma relação. Em paralelo, o investigador se vê no meio de um caso de chantagem e assassinato, ligados ao roubo de um colar de jade. Entre videntes charlatões, milionárias insaciáveis e gângsteres implacáveis, as duas investigações aos poucos se unem numa trama só, entremeada de violência e corrupção, bem ao contrário das histórias policiais clássicas, em que o mordomo é quase sempre o culpado. “Não é esse tipo de história”, nos diz Marlowe. “Não é elegante e não é engenhosa. É sombria, e cheia de sangue.

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    Fabio Shiva14/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Romance Negro

    Li pela primeira vez esse “Farewell, My Lovely” por volta de 2010, no original em inglês. Curiosamente, gostei bem mais agora da prosa de Raymond Chandler, dez anos depois e traduzida para o português. Talvez seja porque já está esmaecida em minha mente a comparação com “The Maltese Falcon” (que ao ser transposto para as telas de cinema ficou conhecido por aqui como “Relíquia Macabra”), de Dashiell Hammett, que considero a obra-prima do romance policial noir. Seja como for, me diverti bastante com a ironia de Chandler, temperada com comparações inusitadas: “Era forte, rápido e comia carne crua. Ninguém podia obrigá-lo a nada. Era o tipo de polícia que cospe em seu cassetete todas as noites em vez de rezar.” “As mulheres mentem sobre qualquer coisa, apenas para praticar.” As frequentes referências literárias talvez tenham contribuído para a fama de ter elevado o romance policial ao patamar de “obra de arte”: “– Quem é esse tal de Hemingway afinal? – Um cara que fica repetindo a mesma coisa uma porção de vezes até a gente começar a achar que ele deve ser bom.” “– Meu Deus – gemeu ela. – Você parece o pai de Hamlet!” E pensar que Raymond Chandler, nascido em uma família rica e seguindo a carreira de financista, só decidiu se tornar escritor aos 45 anos, como forma de sobrevivência após a crise econômica de 1929. Que voltas o mundo dá! Chandler perdeu a fortuna, mas ganhou fama como o criador de Philip Marlowe, que ao lado do Sam Spade de Dashiell Hammett é o próprio símbolo do detetive noir. Melhor deixar que o próprio personagem se apresente: “– Muito bem, Marlowe – disse eu entre os dentes. – Você é um cara duro. Um homem de ferro de um metro e oitenta e três. Noventa e cinco quilos nu e de cara lavada. Músculos rijos e nenhum queixo de vidro. Você pode aguentar. Você levou duas cacetadas, foi esganado e atingido no queixo com a coronha de um revólver até ficar meio bobo. Encheram você de injeções de narcóticos e o mantiveram dopado até ficar tão louco quanto dois camundongos valsando. E o que significou isso tudo? Rotina. Agora vamos ver você fazer alguma coisa realmente difícil, como vestir as calças.” A mocinha de “Adeus, Minha Adorada” complementa muito bem essa descrição, que vale por um resumo do chamado “romance negro”: “– Você é tão maravilhoso – disse ela. – Tão valente, tão determinado, e trabalha por tão pouco dinheiro. Todo mundo bate em sua cabeça, sufoca-o, amarrota seu queixo e enche-o de morfina, mas você continua a bater por entre os golpes até eles ficarem cansados. O que é que o faz tão maravilhoso?” Os leitores de Raymond Chandler sabem a resposta. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/10/adeus-minha-adorada-raymond-chandler.html

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