Um eu lírico que se nega: poesia pura
"Longi-tudo" (Patuá, 2015), livro de poemas de Israel Antonini, começa com uma interessante fatia de um dicionário, com suas acepções de "longe". São muitos os usos possíveis, e o autor, ou seu eu lírico, procura esgotar todas. Mas a poesia de "Longi-tudo" começa negando-se: em "não é", lê-se: "A gente sou eu./ É você.// E isso não é um poema." Entanto, esse eu lírico meio mesquinho se abre em várias ramificações poéticas. "A distância entre duas mãos" lembra Drummond, mas tem força própria: "[...] a distância entre duas mãos/ é medida pelos passos. O poema que dá nome ao livro é curto e, como outros no livro, tem um trocadilho: "Meço à distância/ essa saudade desmedida/ que o verso curto não alcança/ e,/ ainda assim,/ arre!/ meço." O livro tem diversos haicais -- ou poetrix, como se diz na moda -- como "Manhã": "Sou um Gênio: ao seu toque - luz - acordo e discordo do mim-esmo". Outro trocadilho está no poema "Amar é linha", em que o primeiro verso, "Seu", é ligado por uma linha sinuosa ao segundo, "Inverno". Longi-tudo é um livro dividido em cinco partes, a saber: "Não é", "das distâncias", "amor mínimo", filosofia mínima da autocomposição" e "feixes e flashes.
