O andarilho não doutrina, não dogmatiza, não prega. Nem sequer aprender o andarilho aprende. Caminha. Traça, trilha, vagueia, perambula, rodopia, cata cavaco. No final de cada ciclo regurgita suas estripulias de anjo torto: balbucia o que lhe parece ter vivido. Nunca conta a verdade estrita, mas apenas o pedaço que lhe coube lembrar. "Por isso mesmo sou um salto, por amar o que é vento. Por tudo isso sou errante, por necessitar de não acertos. Somando tudo eu devo ser pássaro, por não tolerar o limite do chão. Sou sim, um andarilho, louco errante que cronifica a vida."
