Triste Fim de Policarpo Quaresma (Clássicos da Literatura Brasileira) -

    Lima Barreto

    Ateliê Editorial
    2001
    315 páginas
    10h 30m
    ISBN-10: 8574800457
    Português Brasileiro

    Triste Fim de Policarpo Quaresma saiu em volume em 1915, quando a literatura no Brasil oscilava entre o conservadorismo oitocentista e as inovações do novo século. Esse romance pode ser entendido como uma alegoria contra o conceito romântico de Brasil. A obra narra os últimos anos da vida da personagem que dá título à obra. Trata-se de um patriota exaltado, que vê o país como um recanto de farturas, facilidades, compreensão e amor. Apesar disso, o Brasil, em sua visão idealista, não ocupava o lugar de melhor nação do mundo. Era preciso elevá-lo ao merecido lugar. Para isso, Policarpo Quaresma elaborou um projeto de reforma nacional. Num primeiro estágio, prepara a reforma cultural; num segundo, a reforma agrícola; num terceiro, a reforma política. Ao concluir a execução de seu projeto ufanista, Quaresma encontra um país inóspito, improdutivo, cruel, opressor e odioso. Em outros termos, a narrativa destrói o mito romântico de um Brasil encantador. Revela o abismo que existe entre a imagem e a realidade. O retrato dos funcionários públicos no romance resulta numa poderosa sátira contra a burocracia constituída por indivíduos sem densidade ética ou profissional. O próprio presidente da República (Floriano Peixoto) não escapa à denúncia contra o Brasil oficial. Aí surgem generais sem batalha (Albernaz) e almirantes sem navio (Caldas). Além disso, Triste Fim de Policarpo Quaresma produz uma viva caricatura da Revolta da Armada, de 1893.

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    Jonara Oliveira21/03/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Dom Quixote Brasileiro

    O coitado do Policarpo Quaresma é um dos meus personagens preferidos. Um sujeito que lia demais, e era ridicularizado por todos, que não achavam certo alguém ter em casa tantos livros. Ele resolve pesquisar os verdadeiros costumes nacionais e é tachado de maluco. Por causa dessas pesquisas acontecem as mais engraçadas e tristes cenas, nunca vou me esquecer de quando ele recepciona as visitas e começa a chorar desesperado, num ritual indígena... é uma das coisas mais engraçadas que já li! Tudo dá errado na vida do pobre Policarpo, que sempre foi honesto, bem intencionado e teve bom coração. Ao redor dele, quase tudo é mesquinharia, mentira, preguiça e falsidade. O livro faz uma ótima critica do período. E o fim, não poderia ser mais triste. O coitado finalmente vê que esteve lutando contra moinhos de vento. Pra mim, um dos melhores da literatura nacional.

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