Todos os nomes

    José Saramago

    Porto Editora
    2015
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9789720047571
    Português

    O protagonista é um homem de meia-idade, funcionário inferior do Arquivo do Registo Civil. Este funcionário cultiva a pequena mania de colecionar notícias de jornais e revistas sobre gente célebre. Um dia reconhece a falta, nas suas coleções, de informações exatas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Dedica-se portanto a copiar os respetivos dados das fichas que se encontram no arquivo. Casualmente, a ficha de uma pessoa comum (uma mulher) mistura-se com outras que está copiando. O súbito contraste entre o que é conhecido e o que é desconhecido faz surgir nele a necessidade de conhecer a vida dessa mulher. Começa assim uma busca, a procura do outro.

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    Tiago Vinhoza picture
    Tiago Vinhoza06/12/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Sr. José: um personagem marcante

    Este livro de Saramago conta de um funcionário da Conservatória Geral do Registro Civil, o Sr. José, um homem de meia idade e solitário que, como passatempo, coleciona informações (recortes de jornais, revistas e fotos) a respeito de pessoas famosas. O Sr. José, um belo dia, lembra-se que pode "incrementar" os seus dossiers de celebridades procurando informações a respeito delas nos arquivos da Conservatória. Seriam dados como a data e local de nascimento, o nome dos pais, data de casamento entre outras. Ao começar a fazer estas expedições aos arquivos, o Sr. José, por engano, acaba pegando o verbete de uma pessoa anônima e fica obcecado em conhecer mais da vida desta pessoa. A partir daí, a história se desenvolve e Saramago, através desta busca do Sr. José, vai nos oferecendo reflexões interessantíssimas. Destaco aqui algumas delas: - A fama versus o anonimato; - Sobre a fotografia: "…ninguém tem o direito de apropriar-se de retratos que não lhe pertençam, salvo se lhe foram oferecidos, levar o retrato duma pessoa no bolso é como levar-lhe um pouco da alma." "…as velhas fotografias enganam muito, dão-nos alusão de que estamos vivos nelas, e não é certo, a pessoa para quem estamos a olhar já não existe, e ela, se pudesse ver-nos, se reconheceria em nós." - A hierarquia e a burocracia no serviço público. A relação do Sr. José com os seus chefes e com o Conservador é fascinante. Ótimos diálogos; “Na sexta-feira, no momento de encerrar o serviço, e sem que alguma coisa o fizesse prever, o conservador infringiu todos os regulamentos, desrespeitou todas as tradições, pôs em estado de assombro os funcionários todos, quando, ao sair, e passando ao lado do Sr. José, lhe perguntou, Está melhor.” - Os paralelos entre a Conservatória e o Cemitério; A expansão física do cemitério e a expansão dos arquivos do mortos da Conservatória; A linha tênue entre a vida e a morte. A história ainda tem muita ação, que seria algo inesperado de uma pessoa como o Sr. José. Os dialogos internos dele também são um ponto alto da obra. Alguns chegam a ser hilariantes. Outra personagem bem saramaguiana que aparece na história é a "senhora do rés-do-chão direito". Recomendo a leitura. P.S.: Em "As Pequenas Memórias", Saramago diz que este livro foi inspirado nas suas idas a Conservatória Geral para ter mais informações sobre o seu irmão Francisco, que morreu na infância.

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