Fugindo um pouco do Romantismo, Sonhos D' Ouro, 1872, é mais uma série de críticas à sociedade da época do que uma história de amor. Nesse livro José de Alencar denuncia as grandes trapaças e faucatruas provocadas pela ambição ascendente da elite fluminense, até o casamento se torna uma transação comercial - uma das mais valorizadas - e muitas vezes um amor verdadeiro é abnegado em favor de uma união mais vantajosa.
Guida é filha de banqueiro, muito mimada e caprichosa, lhe falta humildade e singeleza, é influenciada pelo poder que o dinheiro traz e por conta disso seu orgulho a transforma em uma pessoa fria, que não demonstra sentimentos nobres com frequência. Ela demora muito tempo para perceber que ama Ricardo, um jovem advogado pobre que foi para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida para a sua família, Guida não acredita que possa amar alguém como ele e por isso fica dividida entre o amor e o dinheiro.
O autor coloca elementos comuns do Romantismo como: o amor proibido e o casamento, mas põe um final surpreendente e incomum à seus outros romances. A grande falha talvez seja o desenrolar monótono do enredo, já que não há tantas cenas de tensão e apreensão, é um pouco repetitivo, mas mesmo assim é uma boa história de amor e uma fiel análise crua da realidade da corte do século XIX.