As primeiras obras de Isabel Allende buscavam retratar os horrores do período ditatorial na América do Sul. Havia um certo toque do realismo mágico encabeçado por Gabriel Garcia Marques que é mantido aqui na dicotomia dos personagens apresentados. Sendo uma obra alegórica, a representação dos personagens é claramente maniqueísta. Jornalistas, artistas e pequenos trabalhadores são os "bons"; militares, comerciantes e proprietários são os "maus". Não há meio termos, embora a protagonista seja uma caricatura deliciosa da burguesinha que decide abandonar o alto estilo de vida para lutar pela liberdade. Não há cinismo na escrita de Allende, contudo. Sua intenção é definir claramente para o leitor sua experiência no regime em questão, assim, a trama é simplista - o assassinato de uma criança milagreira por um militar de alto-escalão leva Irene e Francisco a investigarem e tentarem denunciar o ocorrido. Pode ser uma leitura agradável para quem gosta do estilo. Há também um filme de 1993 com Antônio Bandeiras e Jennifer Connely nos papeis principais.





