"A depressão é uma doença real!" (Cansou de viver ? #2) - E outras oito falsas ideias sobre a tristeza e o mal-estar da alma

    Lucia Canovi

    Les Phares Editions
    2013
    70 páginas
    2h 20m
    ISBN-10: B00FC61U0G
    Português Brasileiro

    Sente-se perdido, triste, sem coragem, angustiado? Pergunta-se por que sente-se mal quando tem “tudo para ser feliz”? Tem medo de ficar deprimido pelo resto da vida, de não ser capaz de sair disso sem ajuda? Teme nunca mais ser a mesma pessoa? Questiona sua normalidade? Então este livro é para você. A depressão parece ser mais misteriosa e terrível do que é pelos inúmeros preconceitos e mal entendidos que são comumente difundidos. Longe de qualquer fatalismo, a autora, outrora deprimida e agora muito feliz, apresenta um ponto de vista reconfortante e cheio de bom senso sobre um fenômeno muito mais natural do que pensamos. É uma leitura indispensável, como um sopro de ar puro. Ganhadora de seis prêmios literários e especialista em literatura moderna, Lucia Canovi consagra sua vida a suas paixões: a família e a literatura. Ela passou sete anos escrevendo “Cansou de Viver?”, livro que já se tornou uma referência, tendo mudado a vida de inúmeros leitores e já tem versões em inglês, espanhol, italiano, alemão, russo e japonês.

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    Laura Silva29/06/2020Resenhou um livro
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    esse livro é um desserviço.

    Impressões enquanto eu lia: Nas primeiras frases o livro já se mostra uma grande bobagem, com erros de coerência e escrita. O livro pressupõe que a depressão ser uma doença é questão de "opinião". Que estupidez. O primeiro "argumento" é que não se pode acreditar nas coisas cegamente (como se não existissem evidências da doença) e depois são listadas várias frases que o autor toma como "clichês" sobre o tratamento da depressão. Depois, o chorume se utiliza da falácia do espantalho para inventar uma definição altamente distorcida do que é doença, para depois, é claro, provar seu ponto estúpido (além de depois citar o Wikipédia). O outro "argumento" é de que sendo a depressão um problema da "alma" (não vou entrar no mérito, mas a existência de alma nem sequer tem comprovação cientifica e ele finge que é algo aceito e incontestável), logo a medicina não pode resolvê-la. A seguir esse desserviço faz comparações sem sentido com outras doenças que (É CLARO) tem outras origens que não o cérebro/ambiente. A próxima piada chama "os argumentos a favor", você acha que são dados da OMS? Pesquisas médicas/científicas? DMS 5? Não, são frases do senso comum jogadas. Exemplo: "A depressão é uma doença, pois os médicos assim afirmam, e a tratam como tal." Patético. O autor nem sequer tenta ser honesto. Logo depois, o autor REFUTA as próprias proposições, pásmem, se munindo de que são falácias. NÃO ME DIGA! Depois vêm os argumentos contra a depressão ser uma doença e eles não se caracterizam apenas por frases soltas, mas compõem todo um raciocínio, ainda que errado. Claramente tentando provar um ponto pseudocientífico. Outro "argumento" é de que se a depressão precisa ser provada, logo não deve ser verdade. O que é extremamente ignorante. A depressão (e todas as doenças psiquiátricas) são constantemente atacadas por pessoas que não sabem ou se recusam a entender o problema que essa doença causa e que se fosse "fácil" sair dela, não existiria a necessidade de acompanhamento médico, é exatamente por textos como esse que se faz necessário a constante reafirmação das doenças da mente. Depois o autor, claramente ignorante, usa depressão como sinônimo de tristeza e ainda faz apelo a misericórdia fazendo soar que o tratamento a depressão é forçado, uma internação ao hospício. A linguagem forçosamente "poética e culta" dá a entender uma sabedoria inerente, mas só é patético ver alguém afirmar tantas asneiras com essa linguagem rebuscada. Continuando, ainda cita um médico do século XVIII com uma frase nada confiável (não fui atrás checar) para "provar" que a psiquiatria é exagerada. Ainda estou na página 16 de 70 e é aqui que o autor conclui que tudo o que ele falou até aqui provam que a depressão não é uma doença. Que horror. Depois ela cita Einstein com uma frase aberta que pode significar o que você quiser tirada do contexto e a usa para dizer que doenças sem causa exata não são doenças e sim qualquer outra coisa de auto-ajuda barata. Acho que a cada frase meu QI diminui. Depois ele dá uma argumentação bem estranha sobre crise e depressão serem sinônimos e que a mídia/médicos são exagerados nas diferenciações. De novo surge o termos "estado de espírito", não é possível. Logo em seguida ele fala sobre desequilíbrios químicos, dá um exemplo besta de traição e fala "O termo desequilíbrio foi particularmente mal empregado. As variações químicas do cérebro não têm nada de bizarro nem de patológico. São respostas normais à diversidade de situações que o cérebro tem que enfrentar." Ignorando que não é porque as variações são normais que necessariamente não tem problema. Doenças genéticas vem de variações (mutações) nos genes e continuam horríveis, é normal que aconteçam mutações genéticas? Sim, mas isso não exclui doenças. kkkkk. Depois a argumentação vira: se a depressão tem causa química, então para resolver precisamos de alguém formado em química. kkkkkk. Que piada. Depois ele retorna ao médico do século XVIII para falar bobagens sobre a genética e de que se os pais são tristes é claro que a criança pode vir a ser triste já que está na presença deles, não é genética é indução. chegou a hora: VOCÊ ESTÁ TRISTE? APENAS FIQUE FELIZ! trecho: Mesmo se a depressão em questão for uma judoca magricela, uma lutadora raquítica, no final é ela quem ganha: essas pessoas se encontram tão convencidas da inutilidade de seus esforços para escapar, que nem se debatem mais. “Ela nunca me largará”, dizem desolados. “Estou condenado por meus genes.. Infeliz de berço... Depressivo nato.. Quando será que os pesquisadores descobrirão uma terapia genética para me salvar? Quando descobrirão como consertar as sequências estragadas do meu DNA. Ciência, socorro !..” A quantidade de falácia do espantalho nesse livro é gritante. Daqui para frente não li com atenção apenas passei os olhos pelo livro, mas percebi as reais intenções do autor: dizer que a depressão é "uma escolha e você pode mudar", claro que pensamentos positivos e bons hábitos ajudam o tratamento a depressão, mas generalizar a esse nível é um imenso desserviço. A seguir colei uma resenha que li no site da Amazon e deixo compartilhado no drive uma lista de fontes pesquisadas em poucos minutos que explicam (e corretamente) melhor as bobagens que o autor fala. "a autora não oferece quaisquer credenciais para refutar a opinião de, bom, todas as instituições de saúde contemporâneas. apenas argumentação que parece ser razoável para quem não tem informação prévia a respeito da depressão e outros transtornos primeiramente, a diferença entre doença e transtorno. embora muitas vezes sejam usados como sinônimos, os termos têm significação diversa. doenças são entidades nosológicas com causalidade conhecida (vírus, bactérias, fungos etc) enquanto transtornos são manifestações orgânicas (ou, no caso de transtornos mentais, orgânicas/comportamentais) sem causalidade definida. o questionamento da ideia de a depressão ser uma doença cai por terra se tivermos em mente essa distinção a autora também se vale de uma falácia lógica conhecida, o "argumento de autoridade", para desafiar uma das bases do consenso a respeito da depressão. mas ela o faz de maneira inválida: trata-se de argumento de autoridade quando uma pessoa sem credenciais intelectuais num assunto defende sua opinião apelando para uma autoridade exterior supostamente mais confiável (um parente sábio, um professor, um médico ou, no caso dos sacerdotes, profetas e deuses). embora médicos possam se valer desse argumento falacioso, o fato de praticamente todos os estabelecimentos de medicina concordarem a respeito do mal da depressão não constitui argumento de autoridade, pois, no caso, eles são autoridades estabelecidas não por devoção passiva, mas por prática profissional sobre a causalidade da depressão (ou de várias outras doenças/transtornos mentais) não ter sido conclusivamente estabelecida, ela monta seu argumento sobre uma falsa simetria com uma analogia bem boba. ela apresenta um cenário em que não há plausibilidade alguma em esperar avanços numa busca (garimpeiros no alasca que não encontram nada há décadas) com o cenário da pesquisa científica, que é caracterizado pela aplicação de métodos refinados num mundo de relativa ignorância, que se reduz a passos ora lentos ora rápidos. levando ao absurdo sua analogia, alguém poderia dizer que, se passados séculos desde o estabelecimento do conceito de gravidade, se não se conseguiu ainda unificá-la com o eletromagnetismo e as forças nucleares, esse esforço é vão e a tarefa, impossível. é uma atitude anti-intelectual a autora também mostra não saber muito bem do que está falando ao equiparar a depressão à tristeza. embora não seja aconselhável que leigos consultem abertamente manuais de diagnóstico, o que estes têm em comum ao estabelecer critérios para diagnóstico de depressão, ou qualquer outra doença/transtorno mental, é a ocorrência para além do que seria razoável tendo em mente uma vida mediana, tanto a nível da intensidade do que se sente, quanto a nível da frequência e duração de suas ocorrências. isto se aplica também à sua "refutação" da hipótese de desequilíbrio químico. ela acerta ao dizer que, do ponto de vista da nossa experiência subjetiva, a liberação/absorção de hormônios e os sentimentos que experimentamos são duas faces de uma mesma moeda, mas erra ao ignorar justamente o diferencial da hipótese: que em alguns casos, algumas pessoas experimentam emoções demasiado intensas/frequentes/inoportunas simultaneamente a terem doses demasiado grandes ou pequenas de certos hormônios liberadas/absorvidas no sistema nervoso. ela na verdade nem sequer chegou a ameaçar a hipótese. só o teria feito se mostrasse que certos casos de depressão não vêm acompanhados pela esperada variação hormonal (isso de fato ocorre, para a surpresa de absolutamente ninguém, pois é amplamente reconhecido que as possíveis causas da depressão são múltiplas e interagem entre si). quando ela tenta solapar o argumento da predisposição genética, ela mistura duas hipóteses relacionadas, mas distintas. como muitas pessoas (e, infelizmente, alguns pesquisadores), ela assume que transmissão hereditária necessariamente se restringe a transmissão genética. nada mais falso. uma criança adotada herda o nome, e, se for o caso, os bens de seus pais adotivos, embora não tenha recebido deles patrimônio genético (ao mesmo tempo, não herda nada de seus pais biológicos, embora tenha recebido destes seus genes). linhas de pesquisa que envolvem herdabilidade trabalham com a hipótese de transmissão genética E também com a de fatores ambientais (na verdade, um depende do outro). se algumas linhas de pesquisa apostam mais na força determinante da genética, elas não constituem o todo das pesquisas sobre depressão (e outras doenças/transtornos mentais) e hereditariedade. e mesmo no caso da disposição genética, ela repete o erro da falsa simetria com os "garimpeiros do alasca" um dos erros mais interessantes da autora é apontar para o papel da "vontade" na modificação do sistema nervoso. por um lado, está correto. mas isso é um tanto óbvio. se a atividade mental corresponde à atividade do sistema nervoso (ou de parte dele), modificações da atividade mental envolvem, em algum nível, modificações da atividade do sistema nervoso (ou de parte dele). ocorre que nem sempre essas modificações da atividade mental se dão por decisão deliberada. o exemplo da autora de como tanto bebês e adultos "modificam" o próprio cérebro revela bem seu raciocínio tortuoso. ela menciona o aprendizado, esquecendo que muito do que aprendemos é aprendido sem querermos (às vezes contra nossa vontade, como quando decoramos uma música chata ouvida exaustivamente). do mesmo modo, do nascimento à idade adulta, e daí até a velhice, muitas das mudanças em nosso sistema nervoso se darão por desenvolvimento biológico (modulado pelo tipo de vida que levamos), e isso independe quase totalmente de nossa vontade, que pode definir parte do que aprendemos e como vamos viver, mas não se desenvolveremos um quadro neurodegenerativo. ela também trata o sistema nervoso como algo exterior a nos quando o compara a prédios, cidades etc, sem dúvida criados propositalmente. ocorre que ninguém tem o mesmo nível de acesso ao próprio sistema nervoso que tem a um objeto diante de si, como o teclado sobre o qual digito neste momento. e não sei de onde ela tirou que o cérebro adulto se torna imune a mudanças. ainda bem que ela mesma diz que isso é uma mentira. ficou apenas difícil entender quem chega a acreditar que isso pudesse ser verdade tentei resumir os principais enganos e erros de raciocínio da autora. possivelmente poderia citar outros, mas acho desnecessário. fica a recomendação: fujam de picaretas da auto-ajuda. tipicamente, eles não têm credenciais no assunto de que tratam, embora sejam bons de retórica; e não irão ajudar quem realmente precisa, no caso, pessoas com diagnóstico ou suspeita de depressão. procurem fontes respeitáveis (sem argumento de autoridade!) e, se precisarem, ajuda profissional"

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