"Sempre fomos pobres e nada nos faltou" — disse José Palácios. "O contrário é que é verdade — disse o general. — Sempre fomos ricos e nada nos sobrou".
Título original: El general en su laberinto Autor: Gabriel García Márquez Publicação: 1989, Colômbia -- Depois de passar por pelo menos uns 30% da leitura completamente confusa e tão entediada quanto o general, eu percebi, enfim, que Gabriel tinha - mais uma vez - conseguido o que queria. Deixar seu leitor tão preso e perdido quanto possível nesse labirinto. "Era o fim", e para nos narrar essa história, Gabriel utiliza todos os seus recursos de exímio contador. Não é fácil acompanhar o fim da vida do personagem Símon Bolívar recriado por Gabo. Grande parte do livro é arrastado, enfadonho e agoniante... assim como os últimos dias do "Libertador". A vida do general passa diante de nossos olhos em fragmentos e delírios - como saber o que era realidade, o que era ficção e o que era criação da febre que, muitas vezes, fazia o general delirar em sua rede? - e nos perdemos no labirinto da história de Bolívar e, principalmente, no labirinto da História de uma América Latina em formação. (História, aliás, que o Gabo está pouco interessado em te contar. Essa parte fica com você, pois aqui o objeto histórico é outro). Porém, outra boa parte do livro é feita de histórias interessantíssimas, outras tantas emocionantes, e fazem o recheio de um livro muito bem escrito, estruturado e coerente com sua proposta. OBS: acredito que grande parte de nós, brasileiros, teremos dificuldade com o panorama histórico. Isso só serve para apontar OUTRA falha do nosso sistema educacional, que praticamente escanteia a aprendizagem e curiosidade pelo estudo de nossa história latina, bem aos moldes do sistema europeu.










