2006: um ano de transição Chegamos ao final de 2006, um ano que passou sem acontecimentos de grande impacto no cenário musical, algo típico de um período de transição. As gravadoras, que representam uma parte dos grandes protagonistas do mercado, ainda enfrentam o dilema de ter que encontrar alternativas para vencer a concorrência imposta pela transferência de arquivos digitais com música, que trafegam via internet. Não há dúvida de que o CD ainda pode perfeitamente conviver com a existência do mp3 player, assim como no passado o LP de vinil conviveu com a fita K7. Mas devido à rapidez com que o avanço tecnológico torna obsoleto qualquer tipo de equipamento nessa área (como em todas as outras), há uma séria dificuldade na definição de um novo padrão de produto para comercialização de música. É verdade que tem ocorrido uma mudança na forma como as pessoas dedicam seu tempo para ouvir música no dia-a-dia, e cada vez há menos tempo disponível para alguém se acomodar na sua poltrona preferida, colocar o disco no aparelho de som e ouvir com cuidado, lendo os detalhes do encarte, enfim, curtindo momentos de intenso prazer, seja sozinho ou na companhia de quem tenha o mesmo gosto musical. Quando existe essa disponibilidade de tempo quem gosta de música aproveita para ver um DVD, que acrescenta atrativos com imagens e recursos de áudio que essa mídia possibilita serem utilizados. Enquanto isso a popularidade dos mp3 players está crescendo assustadoramente e tende a ser um acessório obrigatório para todo mundo que tem o hábito de ouvir música. A qualidade na reprodução de som vem melhorando, a capacidade de armazenamento aumentou significativamente em pouco tempo, e o preço do aparelho tem caído. O sucesso disso tem provocado até mudança de comportamento, com evidente tendência ao individualismo, o que é uma conseqüência negativa desse progresso: pode-se constatar em viagens várias pessoas compartilhando o limitado espaço de um carro e cada uma delas ouvindo seu próprio som, nos fones de ouvido. É indispensável que a indústria da música consiga identificar uma forma de se obter a justa remuneração para quem trabalha ou contribua com criação nessa área da cultura e do entretenimento. A situação atual, mesmo parecendo que as coisas estão de pernas para o ar, tem também alguns aspectos positivos. A Internet é incontrolável e é o grande campo de batalha desleal, onde a impunidade corre solta e permite que o trabalho artístico seja distribuído indevidamente sem serem respeitados os direitos de quem criou ou pagou pela criação artística. Por outro lado, pode ser encarada também como um excelente veículo para divulgação, provavelmente com custo (ou evasão de receita) inferior ao que alguns pagam de jabá para fazer o trabalho artístico chegar ao conhecimento da população. O desafio é esse: capitalizar os benefícios que a tecnologia proporciona, e criar meios para que a indústria mantenha força suficiente para que quem cria arte musical continue gerando emoções. Airton Diniz
Roadie Crew #95 - Angra - Quinze Anos de Inovações
não informado
Roadie Crew
2006
100 páginas
3h 20m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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