"Um povo sem passado -alguém já disse- é um povo sem futuro"
Achei esse livro na biblioteca da minha escola, sabia que não era muito conhecido, mas quis ler mesmo assim pelo título eletrizante e pela bela capa. Confesso que muitas vezes pensei em desistir da leitura, que ocasionalmente me parecia lenta e enfadonha, porém minha consciência me dizia para continuar lendo - e agradeço a ela por isso. Foi meu primeiro contato com um livro inteiramente formado por crônicas (talvez por isso tive um pouco de dificuldade), ele retrata o Recife onde o autor cresceu, a romântica cidade do século 20, com seus palacetes, bondes e cinemas emergentes tão diferentes dos que conhecemos hoje. O livro me encantou pela seu peso histórico, fatos já a tanto tempo esquecidos que tiveram sua vez nessa obra. Adorei a forma como o autor falou sobre os movimentos revolucionários da Recife monárquica e as sociedades abolicionistas secretas que me fizeram sentir como uma rebelde moça pernambucana. As escolas brasileiras falham com a história do nosso povo muitas vezes e esse é um daqueles livros essenciais para reparar esse erro, é triste saber que tantos lugares, pessoas, causas, sentimentos que fizeram parte do passado do povo nordestino e/ou brasileiro simplesmente não existe mais, fiquei especialmente encanta pela dona Olegarina, mulher da qual eu desconhecia a existência e foi casada com o grande político José Mariano, os dois abrigavam em suas casas escravos libertos ou as vezes até fugitivos, protegendo- os de um sistema que a tanto tempo os maltratava. Por essa e por tantas outras histórias narradas nesse livro que volto a afirmar que todos que se interessam, nem que seja minimamente, pelo nosso glorioso -e dependendo do ponto de vista, até mesmo vergonhoso- passado deveriam ler esta obra e ter contato com os tempos já a muito idos de um povo forte e encantador.

