Desde 1973, Jacques-Alain Miller vem lançando os 26 volumes de O Seminário, referente aos seminários ministrados por Lacan em Paris, de 1953 a 1980, – indispensáveis para o conhecimento integral da revolucionária leitura empreendida por Lacan da obra de Freud. Acompanhando de perto os lançamentos na França, a Zahar publica mais essa grande contribuição para o campo psicanalítico no Brasil.
O Seminário, livro 1 - Os escritos técnicos de Freud
Jacques Lacan
O livro 1 dos seminários de Lacan compreende exposições realizadas nos anos de 1953 e 1954, tendo como objeto de estudo e discussões aquilo que enuncia o título dessa primeira obra, a saber, os escritos técnicos de Freud. O texto consiste na "versão escrita e traduzida do que teria sido dito" por Lacan durante os seus seminários, salientando a tradutora da edição brasileira, Betty Milan, que "traduzir Lacan significa abrir numa outra língua o espaço de uma legibilidade ilegível". Como é sabido, a linguagem (dita aqui enquanto termo que abrange o discurso - fala e escrita) utilizada por Lacan é bastante complexa, exigindo-se redobrada atenção em seu estudo. O livro é dividido em cinco partes. Na primeira, "O momento da resistência", questões como a noção de 'eu', 'outro' e 'resistência' são discutidas, recebendo as defesas especial atenção nos comentários realizados. Na parte seguinte, "A tópica do imaginário", tem-se a análise do caso clínico de uma criança acompanhada por uma das psicanalistas participantes dos seminários ("O lobo! O lobo!"), a partir do qual se iniciam as investigações sobre o narcisismo e o 'ideal do eu' e 'eu-ideal'. Na terceira parte, "Para além da psicologia", as temáticas analisadas são a báscula do desejo, as flutuações da libido e o núcleo do recalque. Na parte quatro, "Os impasses de Michaël Balint", após algumas intervenções sobre a leitura de Balint, a ordem simbólica é explanada a partir da relação de objeto e da relação intersubjetiva. Por fim, a última parte, "A palavra na transferência", traz a função criativa da palavra, estabelecendo o conceito de análise - a partir de onde Lacan estrutura a sua psicanálise. Lacan abre o Seminário (em aula data de novembro de 1953) destacando que "o pensamento de Freud é o mais perpetuamente aberto à revisão", sendo "um erro reduzi-lo a palavras gastas". É com esse retorno a Freud que Lacan reinventa a psicanálise. Nesse primeiro livro "O Seminário", essa retomada está notoriamente presente, uma vez que as reuniões nas quais Lacan leciona e dialoga com seus seguidores possuem como base quase sempre alguma obra de Freud. A situação analítica como estrutura é exposta nesse livro, além da explanação sobre diversas outras questões pertinentes à psicanálise, tratando-se de um dos tantos passos necessários para se estudar o complexo pensamento de Lacan.
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