Grande Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco", da Associação Portuguesa de Escritores, 2004. Neste dia, porém, quando Luís Maria sentir a casa solidamente cercada pela noite, não é para a cama que dirigirá os passos. Virá à janela para olhar as estrelas, abrirá a porta - que ficará escancarada - depois de ter agarrado a corda que estava presa num prego pelo lado de dentro e sairá para a calçada, devagar, principiando a caminhar sem pressa entre as pequenas casas que empalidecerão ao luar. Terá esquecido o chapéu. Ao longe, haverá um cão uivando. Atravessará a vila na direcção do cemitério, ignorando o coreto, aconchegará o rolo de corda no ombro e respirará com força para sentir o cheiro da terra e o calor que dela se desprende nas noites de Verão.
