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    Luto estudos sobre a perda na vida adulta

    Colin Murray Parkes

    Summus Editorial
    1998
    290 páginas
    9h 40m
    ISBN-13: 9788532306395
    Português Brasileiro
    4.3
    6 avaliações
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    Muitas vezes as pessoas sentem-se desorientadas quando perdem um parente ou um amigo querido. O estudo do sentimento de perda e do luto tem ocupado, na última década, um espaço considerável no campo da psicologia. O autor, um dos pioneiros dessa área, desenvolve novas e atualizadas teorias que ajudam a entender as raízes do pesar e do sofrimento causados pelo luto. É uma abordagem baseada na sua experiência clínica, que apresenta propostas concretas para minimizar os efeitos emocionais e psicológicos da perda. Indicado para médicos, clérigos, psicólogos e advogados que lidam com o assunto, e também para pessoas que se interessem em entender melhor esta situação emocional.

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    Carla Parreira picture
    Carla Parreira31/10/2023Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Luto: Estudos sobre a perda na vida adulta (Colin Murray Parkes). O livro é embasado na teoria do apego desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby. O principal ponto da teoria do apego é a compreensão de que o apego formado na relação de um indivíduo com seus cuidadores durante a infância tende a influenciar a forma que essa pessoa se relaciona posteriormente, na vida adulta. Uma pessoa pode apresentar um tipo de apego em uma relação e outro tipo em uma outra relação. Da mesma forma, pode apresentar um tipo de apego nas amizades e outro tipo nas relações amorosas, por exemplo. O apego vai sendo desenvolvido ao longo dos primeiros meses de vida de acordo com a responsividade do cuidador. Em outras palavras, o bebê não necessariamente desenvolve apego a quem passa mais tempo com ele, mas a quem apresenta uma melhor capacidade de responder às suas necessidades. Fases: Associal: 0 à 6 semanas - Durante essas primeiras semanas de vida, o bebê responde favoravelmente a qualquer tipo de estímulo, sociais ou não. Ainda não existem sinais evidentes de apego. Apegos indiscriminados: 6 semanas à 7 meses - Nessa fase, os bebês parecem aproveitar a companhia de outras pessoas de forma indiscriminada. Ainda não há preferência por uma pessoa em específico. É nessa fase que os bebês começam a apresentar emoções negativas quando uma pessoa para de interagir com eles, sendo este um dos primeiros sinais de apego. Por volta dos três meses, é possível ver o início de uma discriminação no sentido de que o bebê passa a sorrir mais para rostos familiares e apresentam maiores níveis de segurança com cuidadores regulares. Apego específico: 7 à 9 meses - Aos 7 meses, o bebê começa a apresentar preferência por uma figura específica. Ele começa a apresentar medo de estranhos e a chamada ansiedade de separação, que é uma emoção negativa ao estar separado dessa pessoa específica por quem começa a apresentar preferência. Em outras palavras, pode-se falar que o bebê desenvolveu o apego a uma pessoa. Apegos múltiplos: 10 meses em diante - A partir dos 10 meses, o bebê começa a demonstrar a capacidade de criar apego por mais pessoas além do cuidador primário. É neste momento que começa a formar apego por outros membros da família, como irmãos, outros cuidadores, vizinhos, entre outros. Até os 18 meses, o bebê demonstra já ter formado diversos apegos às pessoas ao seu redor. Esses apegos seguem uma hierarquia, ou seja, existe uma pessoa a quem o bebê tem um apego maior, e o nível de apego pode variar entre as diversas pessoas a quem ele está apegado. Isso depende do quão bem essas pessoas conseguiram responder às necessidades do bebê. A qualidade do apego está relacionada à capacidade da pessoa de responder de forma precisa às necessidades que o bebê apresenta. Apego Seguro - A pessoa com apego seguro pode se sentir desconfortável quando a pessoa a quem está apegada está ausente, mas sabe que pode contar com essa pessoa e há emoções positivas quando a pessoa está presente. Na infância, este tipo de apego é formado quando o cuidador está presente nos momentos de necessidade, prestando os cuidados adequados às necessidades da criança, de forma que ela cria confiança na pessoa, mesmo quando ausente. Apego Evitante - Nesse tipo de apego, a pessoa busca manter distância da pessoa alvo de seu apego. Em geral, esse tipo de apego tem origem em uma infância na qual os cuidadores foram negligentes ou abusivos, resultando em punições nas vezes em que a criança precisava da ajuda do cuidador, fazendo com que ela evitasse buscá-lo novamente no futuro. Apego Ambivalente - Este tipo de apego é caracterizado por sentimentos ambivalentes, nos quais a pessoa deseja proximidade com a pessoa alvo de seu apego, mas ao mesmo tempo mantém sentimentos de resistência, como raiva e necessidade de punir o outro. Há um grande medo do abandono e tendência a desenvolver relações nas quais há dependência emocional. Este tipo de apego está ligado a uma infância na qual o contato com os cuidadores trazia sentimentos mistos ao invés do conforto e segurança que deveria trazer. Apego Desorganizado - O apego desorganizado está ligado a um padrão de comportamento confuso, que pode ter resistências e evitações, mas ao mesmo tempo ainda não há uma evitação constante como no caso do apego evitante. Esse tipo de apego está ligado a um padrão inconsistente de cuidados durante a infância. O que fazer se eu tiver um tipo de apego não saudável? Tirando o apego seguro, os outros tipos de apego podem trazer prejuízos para as relações, tornando-as não saudáveis. Contudo, se você se identificou com algum dos outros tipos, isso não quer dizer que tudo está perdido. O estilo de apego não é imutável. Em outras palavras, é possível trabalhar para que a pessoa desenvolva um estilo de apego mais próximo do seguro. Além disso, dentro de um mesmo relacionamento, o estilo do apego pode mudar de acordo com o momento do relacionamento. De resto o livro aborda as diversas formas das pessoas reagirem à morte de entes queridos, estudando pesquisas de traumas decorrentes desse luto não superado. Alguns trechos do livro: "...A criança é simultaneamente atraída e repelida pelo componente desconhecido desse mundo, mas é a proximidade da mãe que irá determinar se um novo objeto ou pessoa deve ser evitado ou contatado. Períodos nos quais a criança fica 'grudada' à mãe são alternados com períodos de exploração, garantindo uma distância segura desta. Se uma pessoa estranha aparecer ou se a criança de repente perceber que foi além da distância de segurança , irá imediatamente 'retornar à base'... Presume-se, em geral, que as emoções provocam comportamentos, mas, como já vimos, elas com freqüência surgem depois dele. Se avaliamos a situação como capaz de nos ferir ou atingir, então o medo tenderá a predominar; se anteciparmos que uma luta será necessária e teremos alguma chance de vencer, a raiva tenderá a ser a emoção mais provável. Se estamos confiantes em nossa capacidade de lidar com a situação, a emoção predominante tende a ser uma alegre e triunfante excitação. Se a situação contiver alguma culpa nossa ou algo que possa nos levar à humilhação, então é esperada uma reação de vergonha. Em muitas situações o resultado é incerto, e podemos vivenciar emoções que se transformam muito rapidamente ou que não têm contornos definidos... Ficamos assustados, superalerta e irritados, exagerando nas reações e suspeitando de perigos que nunca existiram. Essas reações podem parecer ilógicas, mas fazem parte do padrão que permitiu ao homem sobreviver em um mundo hostil... É paradoxal que para evitar pensar em uma coisa, tenhamos de pensar nessa coisa. Isto é, em algum nível, permanecemos conscientes do perigo que estamos tentando evitar. Por esse motivo, não devemos nos surpreender se nossas tentativas de evitação falharem. Durante o sono ou em períodos de atenção relaxada, as lembranças dolorosas tendem a invadir nossa mente e nos pegamos revivendo o trauma mais uma vez... As situações de dor trazem um desejo persistente e obstrutivo pela pessoa que morreu, e preocupação com pensamentos que somente causam mais dor..."

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