Abadia (Série Poesia)

    Raquel Naveira

    Imago
    1993
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-10: 8531204577
    Português Brasileiro

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    Carla Parreira29/11/2024Resenhou um livro
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    Abadia (Raquel Naveira). A autora, nascida em Campo Grande e membro da Academia Sul Mato Grossense de Letras, tem uma carreira rica em poesia, refletida em obras como "Via Sacra" e "Fonte Luminosa". "Abadia," seu oitavo livro de poemas, foi publicado em 1995 e tem como tema central a religiosidade, permeando as obras com imagens e referências religiosas. O termo "Abadia," que se refere a uma comunidade religiosa, já sugere a atmosfera que permeia os poemas, que evocam diversas sensações e imagens. Os poemas exploram palavras-chave como "luar," "cristais," e referências bíblicas, destacando a religiosidade de forma interessante e acessível. O primeiro poema, que leva o título do livro, é elogiado por sua musicalidade e capacidade de transportar o leitor. Outros poemas discutem a relação entre figuras religiosas e animais, como um passarinho que faz ninho em uma igreja e um poema que explora a vida de um rato na sacristia. Há também uma forte presença de elementos femininos, refletindo sobre a submissão e devoção nas abordagens religiosas, além de temas que enriquecem a narrativa poética. Naveira escreve de forma acessível e com um vocabulário variado, apresentando histórias diversas que vão do cotidiano aos aspectos mais profundos da existência humana. Os poemas "Carvoarias" e "Jandira" são destacados na análise, mostrando a versatilidade da autora ao abordar diferentes temas, desde a vida dos carvoeiros até a trajetória de uma cantora em sua velhice. A análise se detém em atributos que não agradaram tanto, como o uso excessivo de exclamações, que pode remeter a estilos poéticos mais antigos e menos contemporâneos. A riqueza da obra reflete uma sensibilidade singular na forma como os temas são abordados, intercalando elementos pessoais e coletivos que dialogam com a identidade e a cultura. Uma observação relevante é a menção ao uso da palavra "escravos" na obra, que poderia ter um entendimento diferente se fosse escrita nos dias atuais. A trilogia final do livro, dedicada a Zumbi dos Palmares, também chamou a atenção, pois destaca o contexto histórico e a postura da autora ao homenagear uma figura tão significativa, demonstrando que ela não se deixou influenciar por modismos literários. Embora a homenagem fosse admirável, os poemas que compõem essa trilogia não pareceram tão coesos com o restante da obra. Expresso um sentimento ambivalente em relação à trilogia, reconhecendo a relevância de pelo menos um dos poemas, mas achando que talvez fizessem mais sentido em outra coleção.

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